20 de fev. de 2013

O direito de MORRER


Assisti com muito pesar o anúncio da morte do José Alencar, depois de tantos anos de sofrimento na luta contra o câncer. Foi um herói e com certeza mais que merece todas as homenagens.

Durante as reportagens ouvi um médico falar que nos seus últimos momento tudo foi feito para que não sofresse, inclusive, esteve sedado durante todo o tempo do desfecho final.

Muito bom. Muito certo. Ele merecia isso também. E não é isso que questiono.

O que me parte o coração é saber que todo dia centenas de pessoas, doentes terminais, são mandadas para casa. Outros são literalmente recusados quando chegam nesse estágio em qualquer hospital público.

Uma família minha conhecida levou a mãe ao hospital, tentando amenizar o sofrimento e foi barrada. As filhas falaram que só queriam uma consulta, alguma coisa que amenizasse o sofrimento. O hospital se manteve firme: não podemos ficar com doente terminal!

Durante o meu tratamento de câncer tive a infelicidade de presenciar uma cena desse tipo. Alguém morrendo dentro de uma ambulância e, não sei porque razão, não podia ser aceito também. Ouvimos e vimos a filha aos gritos:  - Ele não pode ser aceito porque não é o pai de vocês que está morrendo sem assistência! (No dia seguinte perguntamos ao guarda como ficou e ele falou que  o homem de fato morreu na ambulância)

Enfim, se a pessoa não tiver um bom plano de saúde, tem que morrer em casa, ela mesma participando de cada etapa, “agonizando” como se costuma dizer. E a família sofrendo os piores momentos da vida: ver um ente querido morrer sem poder fazer nada, sem sequer ter uma assistência final.

Isso, no meu entendimento é cruel. É pior que a eutanásia. É pior que tudo e eu não entendo porque tanta hipocrisia. Tantos olhos fechados para a realidade da saúde no nosso país. Ontem no globo repórter vi casos muito tristes e mudei de canal, covardemente, mas escrevo e posto, para quem sabe, outras pessoas comecem a falar também e um dia as coisas mudem.



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