13 de mai de 2009

Açude e Orós

Imagem cedida pela nossa amiga Glória Dantas, à esquerda, num passei à ilha do Orós, onde fica uma pousada de propriedade de uma tia do cantor Fagner.

Enchente de 2009


Meus filhos, fazendo turismo pelas águas do Açude Castanhão.


Aqui é o nosso quintal. Era uma vez grama! Todo encharcado.


A frente da nossa casa. Nesse dia ainda estava bonito.


A agua começou a levar o asfalto!


E continua levando!


10 de mai de 2009


Imagem de Jevan Siqueira: Açude Castanhão, Ceará.

Rumor de água

Rumor de água
na ribeira ou no tanque?

O tanque foi na infância
minha pureza refratada.
A ribeira secou no verão.

Rumor de água
no tempo e no coração.

Rumor de nada.

Carlos de Oliveira

Carlos de Oliveira



CARLOS DE OLIVEIRA

Carlos de Oliveira (Belém do Pará, 10 de Agosto de 1921 — Lisboa, 1 de Julho de 1981) foi um escritor português.

Filho de emigrantes portugueses, só viveu no Brasil os dois primeiros anos de vida: em 1923, os seus pais regressam a Portugal, acabando por se fixar na região de Cantanhede, mais precisamente na aldeia de Febres, onde seu pai exercia medicina. Em 1933 muda-se para Coimbra, cidade onde permanece durante quinze anos, a fim de concluir os estudos liceais e universitários. Ingressa na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em 1941, onde estabelece amizade, convívio intelectual e solidariedade ideológica e política com outros jovens, entre os quais Joaquim Namorado, João Cochofel e Fernando Namora.

Em 1942 publica o seu primeiro livro de poemas Turismo, com ilustrações de Fernando Namora, integrado na coleção Novo Cancioneiro e em 1943 publica o seu primeiro romance, Casa na Duna. Em 1944, o romance Alcateia, será apreendido, lançando nesse mesmo ano a segunda edição de Casa na Duna.

Em 1945 publica um novo livro de poesias, Mãe Pobre. Os anos 1945 e seguintes serão, para Carlos de Oliveira, bem profícuos quanto à integração e afirmação no grupo que veicula e auspera por um “novo humanismo”, com a participação nas revistas Seara Nova e Vértice e a colaboração no livro de Fernando Lopes Graça Marchas, Danças e Canções – coletânea de poesias de vários poetas, musicadas por aquele, canções que vieram a ser conhecidas por “heróicas”.

Termina em 1947 a sua Licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, e no ano seguinte instala-se definitivamente em Lisboa, não deixando, contudo, de se deslocar periodicamente a Coimbra e à Gândara. Em 1949 casa com Ângela, jovem madeirense que conhecera na Faculdade, que será sua companheira e colaboradora permanente.

Em 1953 publica Uma Abelha na Chuva, o seu quarto romance e, unanimemente reconhecido como uma das mais importantes obras da literatura portuguesa, estando integrado nos conteúdos programáticos da disciplina de português no ensino secundário.

Em 1957 organiza, com José Gomes Ferreira, numa abordagem do imaginário popular os dois volumes de Contos Tradicionais Portugueses, alguns deles posteriormente adaptados ao cinema por João César Monteiro.

Em 1968 publica dois novos livros de poesia, Sobre o Lado Esquerdo e Micropaisagem e colabora com Fernando Lopes no filme por este realizado e terminado em 1971, Uma Abelha na Chuva, a partir da obra homónima. Publica em 1971 O Aprendiz de Feiticeiro, coletânea de crônicas e artigos, e Entre Duas Memórias, livro de poemas, pelo qual lhe é atribuído no ano seguinte o Prêmio de Imprensa. Em 1976 reúne toda a sua poesia em Trabalho Poético, dois volumes, apresentando os livros anteriores, revistos, e os poemas inéditos de Pastoral, livro que será publicado autonomamente no ano seguinte. Publica em 1978 o seu último romance Finisterra, paisagem povoada de inspiração gandaresa, obra que lhe proporciona a atribuição do Prêmio Cidade de Lisboa, no ano seguinte.

Morre na sua casa em Lisboa a 1 de Julho de 1981.



Poesia

* Turismo (1942);
* Mãe Pobre (1945);
* Colheita Perdida (1948);
* Descida aos Infernos (1949);
* Terra de Harmonia (1950);
* Cantata (1960);
* Micropaisagem (1968, 1969);
* Sobre o Lado Esquerdo, o Lado do Coração (1968, 1969);
* Entre Duas Memórias (1971);
* Pastoral (1977).

Romance

* Casa na Duna (1943; 2000);
* Alcateia (1944; 1945);
* Pequenos Burgueses (1948; 2000);
* Uma Abelha na Chuva (1953; 2003);
* Finisterra: paisagem e povoamento (1978; 2003).

Crónicas

* O Aprendiz de Feiticeiro (1971, 1979).

Antologia

* Poesias (1945-1960) (1962);
* Trabalho Poético (1976; 2003).

Brumas


Tela de Pino

Brumas

Nas brumas dos meus silêncios
Nascem visões encantadas,
Com ninfas, bruxas e fadas,
Sonhos de amor, sempre densos.

Nas brumas dos meus silêncios,
Onde os mistérios são nada,
Surgem paixões exaltadas,
Feitas desejos, imensos.

Nascem lembranças, eivadas
De sensações adiadas
E cheiros breves, intensos,

Sem ilusões ansiadas,
Em desespero, guardadas
Nas brumas dos meus silêncios.


Vitor Cintra
De ‘Murmúrios’

Escravo


Tela de Pino

ESCRAVO

Porque te esforças tanto por sorrir
Se, nessa condição de escravizado,
Por mais que seja o esforço redobrado,
Não tens, como horizonte, um bom porvir?

Porque te esforças tanto em ser cortês
Com quem marcou de luto a tua vida,
Sabendo que a maldade, repetida,
Aumenta o sofrimento, vez a vez?

Mantém, dos teus carrascos, a distância.
Não dês, nem reconheças, importância
A quem te escravizou, e ao teu povo.

Aquele que preserva, na memória,
A honra e o valor da sua História,
Verá, um dia, o sol brilhar de novo.

Vítor Cintra
De: ‘Contrastes’

Mostrou-te


Tela de Pino

MOSTROU-TE

Mostrou-te a vida um sorriso
Quando soubeste entender
Que vale a pena viver
Com pouco, além do preciso.

Mostrou-te a vida a beleza
Das coisas simples do mundo,
Cujo sentido é profundo
Dentro da mãe natureza.

Mostrou-te a vida a ternura
Que sempre se faz sentir
Olhando a rosa a florir;

Mostrou-te toda a candura
Que surge, feita bonança,
Nos olhos duma criança.

Vitor Cintra
do livro ‘Murmúrios’

Vitor Cintra



Nasceu em Sintra, a 11 de Janeiro de 1941. Os seus primeiros poemas datam dos anos 50, quando, estudante liceal, descobriu a sua paixão pelas letras. Ainda como trabalhador-estudante foi chamado para serviço militar.



Mobilizado, embarcou para Moçambique e ali cumpriu, como sargento miliciano, de 1963 a 1966. Só após o serviço militar completou a sua formação na área de Contabilidade, sendo Técnico oficial de Contas e residindo atualmente em Mafra.

TÍTULOS PUBLICADOS

Dispersos
Ao acaso
Ecos
Memórias
Recados
Relances
Desabafos
Homenagem
Divagando
Excertos
Momentos
Contrastes
Alegorias
Encruzilhada
Vertigem
À distância
Murmúrios
Horizontes
Pedaços do meu sentir


Obs.: Informações recebidas do poeta por e-mail, em 31.12.2008

a) Os títulos publicados não fazem parte do circuito comercial;
b) O n.º de exemplares de cada uma das edições é de 250 e o seu custo é suportado por mecenas;
c) Os exemplares editados são distribuídos, gratuitamente, por Bibliotecas, Escolas e particulares.

Fonte: Blog do poeta