10 de mar de 2012

Destino



Destino
(Alberto Acosta-Pérez)

Absorto en la triunfal desarmonía de este cuerpo
que no tiene otro destino que morir,
y tal vez exhalar una o dos líneas hermosas sobre el papel,
me pregunto si todo estuvo mal,
si no hubo otro camino.

No son dulces los antiguos recuerdos
sino espadas que se hincan
y dejan al aire los tendones.
¿Adónde marcha la belleza que se borra?
¿Adónde voy yo mismo?
Solo hay una certidumbre:
no nos veremos más allá,
no nos inclinaremos juntos otra vez sobre la hierba,
nuestros rasgos no se confundirán de nuevo en el espejo.

Como cualquier criatura
nos pudriremos solos al borde del camino,
entre dos pulsaciones,
con un clavo de oro hincado en las espaldas.




Alberto Acosta-Pérez
(La Habana, 1955-2012)

Alberto Acosta-Pérez, nasceu em Havana em 1955. Foi poeta, tradutor e promotor cultural, amplamente homenageado por sua obra com prêmios nacionais e internacionais. Escreveu numerosos livros de poesia, um romance e um volume de traduções de poetas romenos.

Faleceu no dia 1º de janeiro de 2012, em Havana.

Entre seus livros mais importantes está:

Éramos tan puros, 1992
Monedas al aire, Premio Los Pinos Nuevos en 1996;
Música vaga, Premio Nacional de la Crítica 2002;
Fotos de la memoria, Premio Nacional de la Crítica 2009, y
Experiencias de amor correspondido (antología personal), 2011.

9 de mar de 2012

Flor e o Amor



Flor e o Amor

Flor, você e o amor
Têm ligação estreita...
Não aceita?
Posso ponderar:
Você nasceu para amar
E o amor para unir.
Há elo mais sólido
neste existir?
Repare nos corações:
Ao ver uma flor
o olhar se inflama...
E como ficam os olhos
de quem ama?
Você explende, mesmo na morte...
Assim o amor, seu consorte!
Vê a primavera?
É a vida da natureza
estampada...
Mas sem o amor
não teria beleza.
Teria nada.

Luiz Carlos de Oliveira

7 de mar de 2012

MADRUGADA



MADRUGADA

No seu leito de plumas alvejantes
Feito de nuvens brancas de algodão
O sol ainda dorme repousante
Mergulhado na paz da imensidão.

O silêncio é completo. E ofegante
A madrugada se estremece, então;
No sepulcral silêncio extasiante
Nem um gemido ecoa na amplidão.

A estrela Dalva vagarosa, lenta,
Brilha do espaço sideral da altura
Num gesto vislumbrante de magia.

E nesta apoteose se apresenta,
Da passarada, um coro de doçura
Que vem saudar o despertar do dia.

Bernardina Vilar
In ‘Bom dia, Saudade!’ (1995)

6 de mar de 2012

Creio que aqueles...


Creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão...
Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que,de mim, arrancam lágrimas e canções.
Eu só poderia acreditar em um Deus que soubesse dançar.
E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo, solene.Era o espírito da gravidade. ele é que faz cair todas as coisas.
Não é com ira, mas com riso que se mata. Coragem!
Vamos matar o espírito da gravidade!
Eu aprendi a andar. Desde então, passei por mim a correr.
Eu aprendi a voar. Desde então, não quero que me empurrem para mudar de lugar.
Agora sou leve, agora vôo, agora vejo por baixo de mim mesmo,agora um Deus dança em mim!

Friederich Nietzsche

Nenhum homem é uma ilha...


Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de seus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem diminui-me, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.

Ernest Hemingway
in Por Quem os Sinos Dobram.