18 de dez de 2012

PÉS






Conheço minhas pegadas, de tanto ir e vir.
Às vezes pisam fundo
como carregassem o peso do mundo;
às vezes ficam amassadas
sob o descuido das outras pegadas.
Sobre elas, a lua nova desdobra sua saia
em cena de nudez no chão da praia.
Só perco meus passos na maré cheia:
essa mania do mar de tirar seus sapatos sobre a areia.
Conheço bem minhas pegadas.
Sou capaz de identificá-la em qualquer lugar.
Se ao menos eu soubesse aonde vão me levar... 

Flora Figueiredo
In Chão de Vento


7 de dez de 2012

TOADA





Minha infância está presente.
É como se fora alguém.
Tudo o que dói nesta noite,
eu sei, é dela que vem.

Emílio Moura
in 50 Poemas escolhidos pelo Autor

27 de nov de 2012

CITAÇÃO





A partir do momento que você descobre realmente
 a pessoa que você é,o que falam sobre você já
 não tem tanta importância assim.

Caio Fernando Abreu


23 de nov de 2012

MIGUEL TORGA






Devo à paisagem as poucas alegrias que tive no mundo.
Os homens só me deram tristezas. Ou eu nunca os 
entendi, ou eles nunca se entenderam. (...) A terra, 
com os seus vestidos e as suas pregas, essa foi sempre
generosa. (...) Vivo a natureza integrado nela, de 
tal modo que chego a sentir-me, em certas ocasiões,
pedra, orvalho, flor ou nevoeiro. Nenhum outro 
espectáculo me dá semelhante plenitude e cria no
meu espírito um sentido tão acabado do perfeito 
e do eterno...
 
Miguel Torga, in Diário II
 

22 de nov de 2012

NA ILHA POR VEZES HABITADA






Na ilha por vezes habitada do que somos,
há noites, manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente
e entra em nós uma grande serenidade,
e dizem-se as palavras que a significam.

Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos. Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres,
com a paz e o sorriso de quem se reconhece
e viajou à roda do mundo infatigável,
porque mordeu a alma até aos ossos dela.

Libertemos devagar a terra
onde acontecem milagres como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

José Saramago,
in Provavelmente Alegria

10 de nov de 2012

CAIO FERNANDO ABREU






"Primeiro a Chuva, 
depois o Arco-íris.
Se acostume, 
a ordem é essa"

Caio Fernando Abreu

28 de out de 2012

ARIANO SUASSUNA







Que eu não perca a vontade de ter grandes
 amigos, mesmo sabendo que, com as voltas
 do mundo, eles acabam indo embora de
 nossas vidas.

Ariano Suassuna

23 de out de 2012

KHALIL GIBRAN






“A beleza não está na cara; 
a beleza é uma luz no coração.” 

―Khalil Gibran


21 de out de 2012

SILÊNCIO







Cala. Qualquer que seja esse tormento
que te lacera o coração transido,
guarda-o dentro de ti, sem um gemido,
sem um gemido, sem um só lamento!

Por mais que doa e sangre o ferimento,
não mostres a ninguém, compadecido,
a tua dor, o teu amor traído:
não prostituas o teu sofrimento!

Pranto ou Palavra - em nada disso cabe
todo o amargor de um coração enfermo
profundamente vilipendiado.

Nada é tão nobre como ver quem sabe,
trancado dentro de uma dor sem termo,
mágoas terríveis suportar calado!

Medeiros e Albuquerque 

24 de set de 2012

A MULHER DENTRO DA NOITE






Foge do seio da noite
Um perfume mais penetrante, mais forte,
Mais ácido e insinuante
Do que o das flores nascidas da morte.
Cai de dentro das estrelas tranqüilas
Uma luz tão cintilante
Vazando as minhas pupilas
Que chego a pensar contente que o fim não esta mui distante.
Passam roçando meu rosto, fatigados, os últimos ventos
E deles meus ouvidos tiram
Cânticos e lamentos.
É o momento em que as pastagens do deserto são regadas pela lua
E as colinas se adornam de alegria,
É o instante em que meu espírito deixa que sobre meu corpo influa
A sensação do nada e o tudo da poesia.


Adalgisa Nery
In: Mundos Oscilantes


23 de set de 2012

DA PERFEIÇÃO DA VIDA







Por que prender a vida em conceitos e normas?
O Belo e o Feio... o Bom e o Mau... Dor e Prazer...
Tudo, afinal, são formas
E não degraus do Ser!

Mario Quintana
In: Espelho Mágico

18 de set de 2012

SÃO FRANCISCO DE ASSIS






"É suficiente um único raio de sol 
para apagar milhões de sombras"

 São Francisco de Assis

16 de set de 2012

MANSIDÃO






"Possua um coração que nunca endureça, 
um temperamento que nunca pressione 
e um toque que nunca magoe." 

Charles Dickens 

3 de set de 2012

HOMEM






Inútil definir este animal aflito.
Nem palavras,
nem cinzéis,
nem acordes,
nem pincéis
são gargantas deste grito.
Universo em expansão.
Pincelada de zarcão
desde mais infinito a menos infinito.

António Gedeão

27 de ago de 2012

AS PALAVRAS






As palavras são mansas e serenas.
São ovelhas submissas, que, tangidas,
descem alvas a encosta das montanhas.

Um pensamento mau é um lobo rude,
que surgindo no meio do rebanho,
perturba todo o bando de palavras.

Tangei-as com enlêvo, com ternura,
desviando-as da fera, que, à socapa
quer dispersá-las para o precipício...

Se o vosso ofício for o de poetas,
pastores de Ideal, tangei com lírios
o rebanho infinito das palavras!

Antonieta Borges Alves
In Lírios de Pedra 

23 de ago de 2012

ANTÓNIO CORREIA DE OLIVEIRA






Sino, coração da aldeia;
Coração, sino da gente;
um a sentir quando bate
outro a bater quando sente.

António Correia de Oliveira

16 de ago de 2012

ÉRICO VERÍSSIMO






Gota de orvalho
na coroa dum lírio:
Jóia do tempo.

Érico Veríssimo

11 de ago de 2012

GUIMARÃES ROSA






Olhar para trás após uma longa caminhada pode
 fazer perder a noção da distância que percorremos,
 mas se nos detivermos em nossa imagem, quando 
a iniciamos e ao término, certamente nos 
lembraremos o quanto nos custou chegar até 
o ponto final, e hoje temos a impressão de que
 tudo começou ontem. Não somos os mesmos, 
mas sabemos mais uns dos outros.
 E é por esse motivo que dizer adeus se torna 
complicado! Digamos então que nada se perderá.
 Pelo menos dentro da gente...


João Guimarães Rosa
Grande Sertões Veredas

24 de jul de 2012

TODO CAMINHO






Todo caminho da gente é resvaloso.
Mas também, cair não prejudica demais
A gente levanta, a gente sobe,
a gente volta!...
O correr da vida embrulha tudo, a vida
é assim: Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
Sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no
meio da alegria,
E ainda mais alegre no meio da tristeza...

João Guimarães Rosa,

in Grande Serão Veredas

23 de jul de 2012

TAL A VIDA






Em declive trepamos pela nuvem
dos dias — em declive circundamos
obscuros cristais
transportados no sangue— e somos e
levantamos
as cores primitivas da fonte a luz
que resvala corpo a corpo
a semente sazonada de quem roubou
o fogo — em declive canto
a ternura diluída a luz reflectida
neste muro onde vejo
a secreção da fala onde ouço
um caminho de metáforas: tal
a vida —


Casimiro de Brito,

in "Negação da Morte"

20 de jul de 2012

CASIMIRO DE BRITO






Cuidado.O amor
é um pequeno animal
desprevenido , uma teia
que se desfia
pouco a pouco.Guardo
silêncio
para que possam ouvi-lo
desfazer-se.

Casimiro de Brito
In Intensidades

12 de jul de 2012

LYGIA FAGUNDES TELLES







"Enriqueço na solidão: fico inteligente, graciosa
e não esta feia ressentida que me olha do fundo
 do espelho.Ouço duzentas e noventa e nove
 vezes o mesmo disco,lembro poesias, dou piruetas,
 sonho, invento, abro todos os portões e quando vejo
a alegria está instalada em mim." 


Lygia Fagundes Telles
In:As Meninas

11 de jul de 2012

ALICE RUIZ





Algumas flores
teimam em viver
apesar do peso
apesar da morte
apesar de algumas
que teimam em morrer
apesar de tudo

Alice Ruiz

7 de jul de 2012

FELICIDADE É UM BARQUINHO DE PAPEL



FELICIDADE É UM BARQUINHO DE PAPEL
(Josefa Alteff)

Cadê essa felicidade?
Procuro no presente.
No passado não esteve.
No futuro, talvez...
Já nem sei se ela existirá.

Procuro no olhar,
no abraço,
no laço, no afeto,
no momento do amar.
Também ai,
não consegui encontrar.

Felicidade é sonho,
magia, feitiço, embriaguez.
É ilusão,
é barquinho de papel.
É coisa passageira,
tão ligeira,
que raro acontece,
mas não permanece
nos minúsculos momentos
de uma vida inteira.

CONFÚCIO






“ Para onde quer que fores,
vai todo, leva junto teu coração. "

Confúcio 

RUMI






''Ontem eu era inteligente,
então eu queria mudar o mundo.
Hoje eu sou sábio,
então eu estou mudando a mim mesmo."

Rumi

6 de jul de 2012

A UM LIVRO






No silêncio de cinzas do meu Ser
Agita-se uma sombra de cipreste,
Sombra roubada ao livro que ando a ler,
A esse livro de mágoas que me deste.

Estranho livro aquele que escreveste,
Artista da saudade e do sofrer!
Estranho livro aquele em que puseste
Tudo o que eu sinto, sem poder dizer!

Leio-o, e folheio, assim, toda a minh’alma!
O livro que me deste é meu, e salma
As orações que choro e rio e canto! ...

Poeta igual a mim, ai que me dera
Dizer o que tu dizes! ... Quem soubera
Velar a minha Dor desse teu manto! ...

Florbela Espanca

1 de jul de 2012



VESPERAL
(Onestaldo de Pennafort)

Dentro do véu da tarde silenciosa,
os jardins adormecem a sonhar...
Choram, sonhando, a sorte de uma rosa
que vai morrer nos braços do luar.

Dentro do véu da a tarde silenciosa,
alguém soluça, erguendo os braços no ar,
uma velha balada dolorosa
de um grande amor que ninguém soube amar...

Pela tristeza de um longínquo olhar,
dentro do véu da tarde silenciosa,
beijo uma sombra que me faz chorar.

Canta um repuxo na hora vaporosa...
Quantas flores ainda vão tombar
dentro do véu da tarde silenciosa...

28 de jun de 2012

AS AVES






Afluem às margens, jogam
como se a água lhes pertencesse,
pousam no meio dos arbustos
como se tivessem todo o tempo!

No entanto, sabem que as nuvens
vão encher o céu; e que o norte
irá enviar o vento frio que as
há-de arrastar para sul, deixando
atrás de si o silêncio
nos campos. Mas pouco lhes importa
isso, quando se juntam, e
cantam a efemeridade do
instante.

Nuno Júdice

26 de jun de 2012

PARA NÃO TE ESQUECER






Ontem, vi alguém
que tinha os teus olhos
e voltei a sofrer.
Era como se os tivesses deixado
deste lado
para eu não te esquecer.

Helena Kolody

25 de jun de 2012

DESENCANTO






Muitas vezes cantei nos tempos idos
Acalentando sonhos de ventura:
Então da lira a voz suave e pura
Era-me um gozo d’alma e dos sentidos.


Hoje vejo esses sonhos convertidos
Num acervo de penas e amargura,
E percorro da vida a estrada escura
Recalcando no peito os meus gemidos.


E se tento cantar como remédio
Às minhas mágoas, ao sombrio tédio
Que lentamente as forças me quebranta,


Os sons que arranco à pobre lira agora
Mais parecem soluços de quem chora
Do que a doce toada de quem canta.


Pe. Antônio Tomaz 

20 de jun de 2012

Regina Helena


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19 de jun de 2012

AMO-TE


AMO-TE
(Jenário de Fátima)

Eu te amo, com a força dos temporais,
Com a fúria incontrolável dos vulcões.
Com a energia acumulada nos trovões
Desde longos tempos imemoriais.

Eu te amo, com a leveza dos cristais,
Com a textura das rosas em seus botões.
Com as notas delicadas das canções
Com as cores de mil roupas nos varais.

Eu te amo todas as horas do dia
E este amor ora leveza, ora tormenta,
Este amor que hora é prazer ora agonia

Pra meu barco é a segurança de um cais.
Muito embora ele saiba e se contenta
Que apenas é só mais um!...e nada mais!


18 de jun de 2012

CREPÚSCULO






Quando o sol avermelhado
d’água imerge na planura,
e precede a noite obscura
o crepúsc’lo avermelhado
paira um clarão desmaiado
lutando co’a sombra escura
que desce da curvatura
do firmamento azulado.

Assim, dentro de mim, da Crença
resta um clarão quase frio,
que inda combate a Descrença,

e, nas ânsias d’esta luta,
- qual crepúsculo sombrio,
hoje a Dúvida me enluta ...


Medeiros e Albuquerque
in 'Canções de Decadência e outros Poemas'


16 de jun de 2012

PAULO LEMINSKI






moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia

vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia



Paulo Leminski
in Caprichos & Relaxos

14 de jun de 2012

TU ÉS A ESPERANÇA’






Tu és a esperança, a madrugada.
Nasceste nas tardes de setembro
quando a luz é perfeita e mais doirada,
e há uma fonte crescendo no silêncio
da boca mais sombria e mais fechada.

Para ti criei palavras sem sentido,
inventei brumas, lagos densos,
e deixei no ar braços suspensos
ao encontro da luz que anda contigo.

Tu és a esperança onde deponho
meus versos que não podem ser mais nada.
Esperança minha, onde meus olhos bebem
fundo, como quem bebe a madrugada.

Eugénio de Andrade,
In:'As Mãos e os Frutos' 

13 de jun de 2012

POEMA PARA HABITAR






A casa desabitada que nós somos
pede que a venham habitar,
que lhe abram as portas e as janelas
e deixem passear o vento pelos corredores.

Que lhe limpem os vidros da alma
e ponham a flutuar as cortinas do sangue
– até que uma aurora simples nos visite
com o seu corpo de sol desgrenhado e quente.

Até que uma flor de incêndio rompa
o solo das lágrimas carbonizadas e férteis.
Até que as palavras de pedra que arrancamos da língua
sejam aproveitadas para apedrejarmos a morte.


Albano Martins

10 de jun de 2012

O RETRATO FIEL






"Não creias nos meus retratos,
nenhum deles me revela,
ai, não me julgues assim!

Minha cara verdadeira
fugiu às penas do corpo,
ficou isenta da vida.

Toda minha faceirice
e minha vaidade toda
estão na sonora face;

naquela que não foi vista
e que paira, levitando,
em meio a um mundo de cegos.

Os meus retratos são vários
e neles não terás nunca
o meu rosto de poesia.

Não olhes os meus retratos,
nem me suponhas em mim."

Gilka Machado

6 de jun de 2012

O DESERTO INOMINÁVEL







O deserto é um silêncio depois do mar,
É o êxtase da luz sobre o coração da areia.
Vai-se e volta-se e nada se esquece.
Tudo se oculta para depois se dar a ver
No ponto em que os ventos se cruzam
E as almas gritam no fundo dos poços.
Os cestos sobem e descem prometendo água,
Uma frescura que derrete a febre.
Não são as tâmaras que adoçam a boca,
É a beleza das mulheres dissimulando
O desejo como um pecado sob a escuridão dos véus.
As serpentes assobiam ou cantam
Conforme o veneno que lhes molda o sangue.
Enroscam-se sobre as pedras
como fragmentos de lua à espera da manhã.
E a sombra alonga-se nas dunas
Ondulando rente às palmeiras
Como a última cobra do medo das crianças.
Não há ruído maior que este silêncio
Que se serve com tâmaras e com chá
Na mesa rasteira, sobre a terra molhada.
É no que não se nomeia que está o infinito.


José Jorge Letria
In Os Mares Interiores

4 de jun de 2012

Os homens só se sentem...



”Os homens só se sentem verdadeiramente irmãos quando se ouvem uns aos outros no silêncio das coisas, através da solidão… A solidão derrete essa espessa capa de pudor que isola uns dos outros; só na solidão nos encontramos; e, ao encontrarmo-nos, encontramos, em nós, todos os nossos irmãos… Só na solidão elevamos o nosso coração ao coração do Universo… Só na solidão podes conhecer-te a ti mesmo como próximo; enquanto não te conheceres a ti mesmo como próximo, não poderás chegar a ver, nos teus próximos, outros ‘eus’. Se queres aprender amar os outros, recolhe-te em ti mesmo.”

Miguel de Unamuno

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Miguel de Unamuno y Jugo (Bilbau, 29 de setembro de 1864 – 31 de dezembro de 1936) foi um escritor, poeta e filósofo espanhol.

Nasceu em Ronda del Casco Viejo (Bilbau) e faleceu em Salamanca. Considerado a figura mais completa da Generación del 98, um grupo constituído por nomes como Antonio Machado, Azorín, Pío Baroja, Ramón del Valle-Inclán, Ramiro de Maetzu, Angel Ganivet, entre outros.

Estudou na Universidade de Madrid onde tirou o curso de Filosofia e Letras e mais tarde obteve a cátedra de grego na Universidade de Salamanca. Dez anos depois foi nomeado reitor da universidade salmantina.

Foi conhecido também pelos sucessivos ataques à monarquia de Afonso XIII de Espanha. De 1926 a 1930 viveu no exílio, primeiro nas Ilhas Canárias e depois em França, de onde só voltou depois da queda do general Primo de Rivera. Mais tarde o General Francisco Franco afastou-o novamente da vida pública, devido a críticas duras feitas ao General Millán Astray, acabando por passar os seus últimos dias de vida numa casa em Salamanca.

1 de jun de 2012

FRAGMENTO DE MARFIM


Manso pastor que sobrevive
delicadamente em seu posto
carregando no encosto
retalhos de ovelha.
Manso pastor que sobrevive
em marfim amarelado
ao jogo do pastoreado.
Teu rebanho abolido,
como tu, perdura
na lenta melancolia
de tua atenciosa figura
que resume no infinito
a treva de pastagens duras.


Rainer Maria Rilke
In: Jardins


31 de mai de 2012

PAULO LEMINSKI


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Flora Figueiredo




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Luiza Caetano



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30 de mai de 2012

MAR DESCONHECIDO



Sinto viver em mim um mar ignoto,
E ouço, nas horas calmas e serenas,
As águas que murmuram, como em prece,
Estranhas orações intraduzíveis.

Ouço também, do mar desconhecido,
Nos instantes inquietos e terríveis,
Dos ventos o guaiar desesperado
E os soluços das ondas agoniadas.

Sinto viver em mim um mar de sombras,
Mas tão rico de vida e de harmonias,
Que dele sei nascer a misteriosa

Música, que se espalha nos meus versos,
Essa música errante como os ventos,
Cujas asas no mar geram tormentas.


Augusto Frederico Schmidt
In ‘Um Século de Poesia’

29 de mai de 2012

O ÚLTIMO POEMA


Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação



Manuel Bandeira