19 de jun de 2010

PRISÃO



PRISÃO
Théo Drummond

Ouço o cão a gemer, no meu vizinho.
É um gemido tão forte e dolorido
que deixa perceber que está sozinho,
e a sua companhia é o seu gemido.

O dia inteiro o caso repetido
me faz pensar que a falta de um carinho
que é num gemer assim reproduzido,
entra na carne e fere como espinho.

Sofro com ele, e penso que este cão
deveria estar livre, num jardim,
e não viver, jamais, nesta prisão.

E o dia corre e o uivo chega a mim,
e fica preso no meu coração
como se eu fosse o cão que uivasse assim.

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