9 de fev de 2010

Texto do perfil de Patrícia Neme



Tão logo o primeiro aborígene entendeu que, ao saber algo mais que qualquer outro de sua tribo, assumia a liderança da mesma, foi desperto o sentimento da disputa e a conseqüente formação de facções, reunidas por conveniências ou conivências, já que somos animais racionais absurdamente avessos ao congregar em nome do todo (me pergunto onde a racionalidade!).
Maquiavel codifica isso numa frase, em seu livro O Príncipe: quem detém o conhecimento, detém o poder (palavras sempre ventiladas por aqueles que pretendem demonstrar erudição; afinal, leram Maquiavel!).
Assim, temos o nascimento de grupamentos, de caráter esotérico ou exotérico, que vão da Máfia à Maçonaria, da Igreja Católica à Evangélica, do PCC ao PT, das Forças Armadas às Milícias. Os há para atendimento de todo e qualquer gosto.
Porém, mesmo militando nessas ou em outras organizações, poucas pessoas sabem a razão de fazê-lo. E apenas servem aos interesses de seus líderes como massa de manipulação, sem que contestem suas ações, ou sequer avaliem se seus atos são concordantes com a moral e a dignidade. Ou seja, com a cidadania!
De uma forma já pouco sutil, a natureza vem nos dizendo que é passado o tempo de despertarmos. Já o houvéssemos feito, muitas tragédias a ela atribuídas, seriam evitadas.
Porém, o recolhimento dos plenos de consciência (ou a covardia, a acomodação?) e a euforia tipicamente brasileira, que muito aprecia ‘por o bloco na rua”, faz com que, por maior seja o drama, mesmo ocorrendo ao nosso lado, seja visto apenas como um acaso, ou fatalidade.
A próxima cidade inundada, por falta de obras públicas, pode ser a sua; o próximo filho baleado, por falta de segurança pública, pode ser o seu; a próxima mãe a morrer por erro médico, pelo despreparo de nossos profissionais, pode ser a sua. Como pode ser sua a casa que o deslizamento de terras vai destruir, por falta de contenção de encostas. E quem pode ser o próximo desempregado, ou aquele que não consegue emprego, por não ter tido oportunidade de pagar boas instituições educacionais? Você.
Eu comecei a escrever...
Você, conclui meu raciocínio com seu voto, nas próximas eleições.
Paz em Deus.


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