30 de nov de 2009

AUSÊNCIA DEFENSIVA



AUSÊNCIA DEFENSIVA

Estou sempre em qualquer lugar
onde eu penso sem pensamento
porque o tempo passa no tempo
sem que o sonho possa esperar.

Estou sempre em qualquer lugar
onde o pranto chora sem mágoa
murmuram os riachos sem água
navegam meus barcos sem mar.

Estou sempre em qualquer lugar
onde os jardins crescem abertos
sem sucumbir como os desertos
onde ninguém vai me encontrar.

Estou sempre em qualquer lugar
despertando as minhas ternuras
dentre as pedras das amarguras
que me lançam querendo amar.

Afonso Estebanez



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'TRANSBORDAMENTO'




A tarde diluída dentro de mim. O mundo tão vasto!
As antenas da imaginação nas ondas de todo o mundo.
Milhares de vidas (paisagens: milhares!)
dão à alma o sentido diluído do maravilhoso fragmentado.

O desconhecido é a única base do espírito que viaja.
Vontade de dominar todos os vislumbres da consciência em naufrágio.
Oh! mas é inútil pensar na libertação de ser um dentro de si mesmo.
O que vale é o que transborda, o que nos transcende a cada instante
e adere às formas do que não vemos e cria as realidades que serão eternas
e faz o mundo tão vasto.


Emílio Moura
Itinerário Poético



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'PRESENÇA'




"O que me dói não é
o que há no coração
mas essas coisas lindas
que nunca existirão."
Fernando Pessoa


Sempre te busco,
nunca te encontro.
Que nuvem densa,
múltipla e vária,
te oculta aos olhos
que te sonharam?

E vão te chamo.
Eco perdido,
a voz retorna.
Frágil e tímida,
deu volta ao mundo.
Não te encontrou.

Meu pensamento
sobe bem alto,
sobe mais alto.
Espelho mágico,
mostra-te aos astros.
Nenhum te viu.

Ninguém te viu,
nem te verá.
Morres comigo.


Emílio Moura






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'INQUIETUDE'



As horas passam, lentas como beijos,
ou rápidas, como setas.

Nem desejo de continuar, nem vontade de parar.
Eu só queria que a minha vida fosse uma página em branco,
sem dizeres que não dizem nada,
porque é sempre a mesma inutilidade,
sempre o mesmo espetáculo.

Mas, o tempo não pára:
As horas passam lentas como beijos,
ou rápidas, como setas.


Emílio Moura
Itinerário Poético



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Reflexões



Um barco passa ao longe
Na linha do horizonte.

Passa o tempo,
uma alegria, alguns sorrisos
Muitos sonhos, algumas dores
Muitos amores, poucas verdades

Um adeus,
algumas lagrimas, recordações
como no horizonte ao pôr-do-sol
Vão se esfumando as lembranças

Que importa se desce a sombra
Se tudo já é passado.
Navega comigo,
Até que a noite desapareça.

Ana Carlini
(Porto-PT-1949)



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Solitude




Atravessando o deserto da dor,
Percebi que não me encontrava só

O eventual não floresceu
muitas outras flores, floriram

De desertos e de medos
A vida agora sem degredos

Ana Carlini



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