12 de nov de 2009

OS AMIGOS, AO ENTARDECER



O tempo é breve e as afeiçoes são poucas.
Os cabelos já tomam a cor das despedidas.
Tantas, as viagens! Quantas, as partidas
para as paixões, as festas e navegações?
Fraternas mãos vieram e me cobriram
com cálidos lençóis.
E preparei anzóis
para pescar os salmões do amanhecer.
Um dia, com os amigos, acendi fogueiras.
Deitamo-nos na relva, de alma ainda inteira.
Ou fomos olhar os trens
que vinham dos verões.
Vezes houve em que rimos, quase alucinados.
Nem vimos os exílios, demorados.
E estivemos unidos em nossos corações.


Artur Eduardo Benevides
In: Elegia Setenta e Outros Poemas






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Era já posto o sol.


SONETO

Era já posto o sol. A natureza
Em ondas de perfume se banhava;
Aqui, pendia a rosa, além brilhava
Alguma flor de virginal pureza.

Nuvem sutil, de pálida tristeza,
Pelo cândido rosto lhe vagava.
Nas negras tranças do cabelo estava
Murcha e mais triste uma saudade presa.

Oh! pintor que a pintaste! Era mais bela
Que a lua deslumbrante de fulgores,
Surgindo dentre as sombras da procela!

Ao vê-la, aos meus olhos matadores,
Voou meu coração aos lábios dela,
Minh´alma ardente se banhou de amores.


Maciel Monteiro








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Sou o mundo


Sou o mundo.
O possível é o horizonte...
Criaturas do mar dormem
balançando-se nas ondas.
Ressoam as vagas
na concha do tempo.
Vem.
A promessa pousa
suas asas entre nós.
Navega.
A certeza é o poente.

Lilia Silvestre Chaves
in: 'E todas as orquestras acenderam a lua.'





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Amar é esquecer-se para o outro



Amar
é esquecer-se para o outro.
É a procura da alma nos sentidos.
É sentir que a liberdade está perdida,
Nos longes de uma eterna despedida.

Amar
é esperar pelo passado
Que se perde no reverso das estrelas.
E, se a memória do tempo é desventura,
A vida é traço de palavra impura.

Lilia Silvestre Chaves
in:'E todas as orquestras acenderam a lua.'








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Saudade


Saudade – coisa que a gente
não explica nem traduz;
faz do passado, presente,
e traz sombras, sendo luz…

Yde Schloenbach Blumenschein







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Nunca houve palavras para gritar a tua ausência


Nunca houve palavras para gritar a tua ausência

Apenas o coração
Pulsando a solidão antes de ti
Quando o teu rosto dóia no meu rosto
E eu descobri as minhas mãos sem as tuas
E os teus olhos não eram mais
que um lugar escondido onde a primavera
refaz o seu vestido de corolas.

E não havia um nome para a tua ausência.

Mas tu vieste.

Do coração da noite?
Dos braços da manhã?
Dos bosques do Outono?

Tu vieste.
E acordas todas as horas.
Preenches todos os minutos.
acendes todas as fogueiras
escreves todas as palavras.

Um canto de alegria desprende-se dos meus dedos
quando toco o teu corpo e habito em ti
e a noite não existe
porque as nossas bocas acendem na madrugada
uma aurora de beijos.

Oh, meu amor,
doem-me os braços de te abraçar,
trago as mãos acesas,
a boca desfeita
e a solidão acorda em mim um grito de silêncio quando
o medo de perder-te é um corcel que pisa os meus cabelos
e se perde depois numa estrada deserta
por onde caminhas nua.
Como se estivesses triste

Joaquim Pessoa





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PEREGRINAÇÃO



Ai de mim
entre esses peregrinos mortos,
os que olharemos para o passado
com melancólico remorso.

Tentaremos dizer alguma coisa,
mas já não saberemos dizer nada...
Até que, então, tenhamos aprendido
a fazer tudo o que não dá mais
para fazer nesta jornada.

E nos arrependeremos
de não ter suportado as feridas
que os espinhos da vida causam
como justo preço cobrado de quem
colhe uma rosa.

Ai de mim
entre esses tristes cavaleiros
que temos feito do sonho alheio
um campo santo para guerrear.

Ai de mim, ai de nós
que não poderemos mais
voltar...

Julis Calderón





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11 de nov de 2009

FANTASIA



FANTASIA

Fantasia é alguma coisa fascinante.
Ela está na sua cabeça, sob seu comando.
Você pode acabar com ela,
pausar, adiar, anteceder. Você pode tudo:
- decide, intensifica, esfria, esquenta e,
todas as decisões são suas.
Tudo tão confortável...
até o dia que se torna realidade.

Mas, uma fantasia pode se tornar realidade?
Poderia um círculo se transformar num quadrado?

Assim é uma fantasia que se torna realidade:
- Deixou de existir. Virou vida real.

Já não é decisão só sua,
não será a sua vontade que estará no comando,
e você não decide quando ou como acabar!

Então, é melhor deixá-la no seu devido lugar!

Regina Helena





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O mar e a rocha


O mar e a rocha


O mar se entrega à rocha, sem receios,
e a cobre com espuma virginal.
E lhe acarinha todos os permeios,
e ama, como nunca amou igual.

Lhe conta dos seus mais sutis anseios,
lhe fala desse amor, já outonal...
E a cerca com seus mil e um meneios...
E lhe oferece todo o seu caudal.

Porém, sempre centrada em sua essência,
ela não se permite a experiência
de se entregar aos braços desse amor.

E perde um oceano de venturas,
e mais e mais conhece as amarguras,
de quem jamais ousou su'alma expor!

Patricia Neme
in Sonetos em Dor Maior





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FOLHAS DE ROSA


FOLHAS DE ROSA

Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo …

E falo-lhes d’amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente…
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente …

Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m’embriaga

O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que reflectia outrora tantos risos,
E agora reflecte apenas pranto,

E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado…

Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mais fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia…

Florbela Espanca







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VOLTA DE PASSEIO

Assassinado pelo céu,
entre as formas que vão para serpente
e as formas que buscam o cristal,
deixarei crescer os meus cabelos.

Com a árvore de tocos que não canta
e o menino com o branco rosto de ovo.

Com os animaizinhos que a cabeça rota
e a água esfarrapada dos pés secos.

Com tudo o que tem cansaço surdo-mudo
e mariposa afogada no tinteiro.

Tropeçando com meu rosto diferente de cada dia.
Assassinado pelo céu!

García Lorca



CRONOLOGIA

1898 – Nasce a 5 de junho, em Fuente Vaqueros, Granada, Federico García Lorca, filho de Federico García Rodriguez e Vicenta Lorca Romero.
1906 – Vai para Almeria, para residir na casa do seu mestre Dom Antonio Espinosa Rodriguez.
1908 – Faz exames para ingressar no General y Técnico de Almeria.
1909 – Uma grave infecção bucal faz a família trazê-lo de volta para Granada. Passa a freqüentar o Colégio do Sagrado Coração de Granada. Passa a ter aulas de guitarra e piano.
1915 – Inicia estudos de Direito e Filosofia na Universidade de Granada.
1916 – No inverno, na passagem para 1917, escreve as primeiras poesias.
1917 – Publica no Boletín Del Centro Artístico de Granada, o seu primeiro trabalho literário, um artigo por ocasião do centenário de Zorrilla. Faz uma viagem de estudos com alguns colegas e o professor Martin Berrueta Dominguez, por Castela, Leão, Galícia e Andaluzia.
1918 – Publica o primeiro livro, “Impressões e Paisagens”, prosa sobre a sua experiência na viagem que fizera no ano anterior por diversas regiões da Espanha.
1919 – Muda-se para Madrid, instalando-se na Residência dos Estudantes. Em Madrid conhece Luis Buñuel, Eduardo Marquina, Juan Ramón Jiménez, Salvador Dali e outros.
1920 – Em 22 de março estréia a sua peça “El Malefício de la Mariposa”, no Teatro Eslava, em Madrid.
1921 – Publica o primeiro livro de poemas, “Livro de Poesia”, dedicado ao irmão Francisco. 10 de setembro, publica o poema “Balada de la Placeta”, na “Antologia de Poesia Espanhola”.
1923 – Adapta para o teatro várias obras de Cervantes. Termina o bacharelado de Direito, em Granada.
1924 – Conhece o pintor Gregório Prieto, com quem estabelece grande amizade. Conclui o livro “Canciones”. Começa a escrever “El Romancero Gitano”. Começa a trabalhar na idéia da obra “Doña Rosita la soltera o el lenguaje de las flores”.
1925 – Termina a peça “Mariana Pineda”. Visita a família de Salvador Dali, para quem lê a peça que terminara recentemente.
1926 – Publica “Ode a Salvador Dali”.
1927 – Projeta com Manuel Falla, uma nova linguagem do teatro infantil de marionetes. Publica em Málaga, o livro “Canciones”. Em 24 de junho estréia no Teatro Goya, em Barcelona, na companhia da atriz Margarita Xirgú, a peça “Mariana Pineda”; o palco foi decorado por Salvador Dali. De 25 de junho a 2 de julho faz uma exposição de seus desenhos em Barcelona, organizada por Salvador Dali. Publica de julho a setembro, vários poemas na revista “Verso e Prosa” de Múrcia. Em 12 de outubro estréia em Madrid, a peça “Mariana Pineda”, com Margarita Xirgú. Volta para Granada, onde pretende criar a revista “Gallo”.
1928 – Surge a primeira edição da revista “Gallo”, esgotando-se em dois dias. O sucesso da “Gallo” provoca os estudantes universitários de Granada, que se dividem em “gallistas” e não “gallistas”. Em abril surge o segundo número da “Gallo”, tornando-se um grande fracasso. O número 3 da “Gallo”, embora com os artigos elaborados, não consegue sair. Publicado “El Romancero Gitano”.
1929 – Viaja para Nova York. No verão faz curso na Columbia University.
1930 – Em Nova York conhece Andrés Segovia. Viaja para Cuba, onde faz quatro palestras. No verão regressa à Espanha. Em 24 de dezembro estréia pela companhia de Margarita Xirgú, em Madrid, “La Zapatera Prodigiosa”.
1932 – Funda e dirige o grupo de Teatro Español Universitario La Barraca.
1933 – Estréia em março, no Teatro Beatriz, em Madrid, a peça “Bodas de Sangue”. Viaja para a América do Sul, passando pela Argentina, Uruguai e Brasil. Estréia com grande sucesso, em Buenos Aires, as peças “Bodas de Sangue”, “Mariana Pinedo” e “La Zapatera Prodigiosa”. Discursa ao lado de Pablo Neruda no Pen Club, em memória de Rubén Dario. Publica no México “Ode a Walt Whitman”.
1934 – Morre o amigo Ignacio Sanchez Mejias. Lorca escreve “Llanto”. Em 29 de dezembro Margarita Xirgú estréia no Teatro Espanhol de Madrid, a peça “Yerma”.
1935 – Termina “Doña Rosita la Soltera”. Bate à máquina “Poeta em Nova York”, para ser impresso. Em dezembro a companhia de Margarita Xirgú estréia em Barcelona “Doña Rosita la soltera o el lenguaje de las flores”.
1936 – Publica “Bodas de Sangue”. Projeta uma viagem para Nova York e México, para discursar em uma conferência sobre Quevedo. Faz leitura de “A Casa de Bernarda Alba”. Começa os ensaios de “Assim que Passarem Cinco Anos”.
Lorca prepara a sua mais nova tragédia, “La Destrucción de Sodoma”. 16 de julho, viaja para Granada, para visitar a família. 18 de julho, eclode o levantamento militar. Aconselhado por amigos, refugia-se na casa da família Rosales, em Granada. É preso e posto à disposição do controle militar estabelecido em Granada. A 18 ou 19 de agosto, é executado sem nenhum julgamento, em Viznar, Granada.

OBRAS

Poesia:

1921 – Livro de Poemas
1926 – Ode a Salvador Dali
1927 – Canciones (1921-24)
1928 – El Romancero Gitano (1924-27)
1931 – Poema del Cante Jondo
1933 – Ode a Walt Whitman
1935 – Canto a Ignacio Sánchez Mejias
1935 – Seis Poemas Galegos
1936 – Primeiras Canções (1922)
1936 – Sonetos Del Amor Oscuro
1940 – Poeta em Nova York (1929-30) – póstumo
1940 – Divã do Tamarit – póstumo

Prosa:

1918 – Impressões e Passagens
1949 – Desenhos (publicados postumamente em Madrid)
1950 – Carta aos Amigos – póstumo

Teatro:

1920 – El Malefício de la Mariposa
1925 – Mariana Pineda
1928 – Oda al Santíssimo Sacramento Del Altar
1930 – La Zapatera Prodigiosa
1931 – Assim que Passarem Cinco Anos – Lenda do Tempo
1931 – Retábulo de Don Cristóvão
1931 – Amores de Dom Perlimplim e Belisa em seu Jardim
1933 – El Público
1933 – Bodas de Sangue
1934 - Yerma
1935 – Dona Rosita, a Solteira
1936 – A Casa de Bernarda Alba

Fonte:virtualia.blogs









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À espera


À espera

à poetisa sem nome

tantas novenas
cozidas em segredo
à noite

em silêncio,
aos poucos,
alinhavei com cuidado
singela trama
que me ligasse a ti.

Fios rubros,
espessos,
enfim te cobrem
e protegem.

Agora, fico só
a ensaiar
muda
as cantigas marinhas
que te trarão
de meu oceano profundo
a meu peito.

Jana Kirschner





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VIDA!


VIDA!
Vem luzir os olhos nos meus,
Vem queimar dentro de mim,
Iluminar a noite, trazer o dia.
Vem de novo amanhecer!

Antonio Carlos Rocha





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10 de nov de 2009



Se

se por acaso
a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite uma farra
a gente ia viver
com garra

eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto

ia ser um riso
ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio

daí vá ficando por aí
eu vou ficando por aqui
evitando
desviando
sempre pensando
se por acaso
a gente se cruzasse...


Alice Ruiz






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RETROSPECTO
(Genaura Tormin)

Pintando estrelas,
contando estórias ao vento,
corro pelas ruas,
pelas casas brancas
a falar de mim.

Escancaro a boca,
num sorriso brusco.
Grito mais alto que os trovões
e ninguém me escuta.

Falo de felicidade...
essa felicidade
que quando vem,
me assusta.

Volta tão depressa!
Mal sinto que ela veio.

Fico triste.
A tinta das estrelas
era lavável
e a chuva tirou.

O vento soprou tanto,
esquecendo as estórias
que gritei
aos quatro cantos.

O sorriso,
transformou-se em choro.
Tudo ficou triste.
A felicidade se foi.








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MUNDO DE FANTASIA


MUNDO DE FANTASIA

Sonhei que a vida era diferente.
Cheinha de coisas boas, muita alegria,
Bondade e sabedoria.
E as pessoas eram contentes.

Vivendo a minha fantasia,
Fechei os olhos e vi, por um momento,
Os prados, as flores e o firmamento
A comungarem conosco a harmonia.

Sonhei com a dignidade,
E vi os mendigos abrigados,
Bem vestidos e alimentados,
No exercício da cidadania.

Era um mundo de magia,
Sem dor, sem fome, sem horror.
Somente a voz do amor,
Essência holística da sabedoria.

Genaura Tormin





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EVIDÊNCIA




EVIDÊNCIA
(Genaura Tormin)

No silêncio
Lamentos tardios
E escusas do que se foi.
O cérebro confunde
Os desejos esquecidos.

O tempo está parado,
O vento não encanta,
Como outrora,
Porque as flores
Já não exalam perfumes.

Não há espera...
Ela não é necessária.
Os dias são normais.
O querer se foi
Com o entardecer
Numa revoada de pássaros.

Mesmo assim,
Eu sinto frio.
Tudo está tão só!
No silêncio,
Respostas de perguntas
Feitas ao nada.





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INQUIETUDE


INQUIETUDE

Tarde cálida e mórbida... Angustiante...
Um silêncio mortal. Nem uma voz
Levanta-se no vácuo. Torturante
O ar pesado paira sobre nos.

O calor abrasado, sufocante
Já me importuna de maneira atroz
E nesta alegoria delirante
Triste lembrança se me faz algoz.

Dentro em meu peito, o coração soluça!
E genuflexo triste se debruça
Sobre um passado que já vai distante.

Chora contrito uma recordação,
Revive um sonho que perdido em vão
Pra mim tornou-se um padecer constante.

Bernardina Vilar
In ‘Bom dia, Saudade!’ (1995)






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OUSADIA


Tela: John Atkinson

OUSADIA

Na ânsia de atingir o ignorado
Vai-se o tempo voraz, audacioso
Nas brumas de um enigma mergulhado
Não para de correr, misterioso.

Qual rio a transbordar agigantado
Investe sem cessar, tempestuoso,
Contra tudo que atira no passado
No mais terrível gesto, corajoso.

Com ele tudo passa: a dor, a vida
A alegria, o amor, as esperanças
No arrojo invulgar desta corrida.

Não olha para trás nem retrocede...
E vai deixando apenas as lembranças...
. . . Como quem parte que não se despede!

Bernardina Vilar
In ‘Bom dia, Saudade!’ (1995)





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Teus Olhos Belos por Dentro



Teus olhos belos por dentro
De grandes colorações,
Parecem ter pelo centro
Teus olhos belos por dentro
A luz vital onde eu entro
E saio imerso em clarões…
Teus olhos belos, por dentro
De grandes colorações.


Cruz e Souza







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"...Sabe o que eu quero de verdade?
Jamais perder a sensibilidade, mesmo
que às vezes ela arranhe um pouco a alma.
Porque sem ela não poderia sentir
a mim mesma..."

Clarice Lispector







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DOIS AMANTES

Pintura de LuizaCaetano

Dois amantes ditosos fazem um só pão,
uma só gota de lua na erva,
deixam andando duas sombras que se reúnem,
deixam um só sol vazio numa cama...

De todas as verdades escolheram o dia....
não se ataram com fios senão com um aroma,
e não despedaçaram a paz nem as palavras...
A ventura é uma torre transparente...

O ar, o vinho vão com os dois amantes,
a noite lhes oferta suas ditosas pétalas,
têm direito a todos os cravos...

Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem...
têm da natureza a eternidade...


Pablo Neruda
Cem sonetos de amor







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9 de nov de 2009

"Noturno"


"Noturno"

Não sou o que te quer. Sou o que desce
a ti, veia por veia, e se derrama
à cata de si mesmo e do que é chama
e em cinza se reúne e se arrefece.

Anoitece contigo. E me anoitece
o lume do que é findo e me reclama.
Abro as mãos no obscuro. Toco a trama
que lacuna a lacuna amor se tece.

Repousa em ti o espanto que em mim dói,
norturno. E te revolvo. E estás pousada,
pomba de pura sombra que me rói.

E mordo teu silêncio corrosivo,
chupo o que flui, amor, sei que estou vivo
e sou teu salto em mim, suspenso em nada.

Bruno Tolentino







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MEL


MEL

Na curva da primavera,
no alto da montanha,
abelhas fabricam mel.
zumbem, dançam, rodopiam,
cantam para as flores
o azul do dia.

Roseana Murray







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Canção do Vento e da Minha Vida


Canção do Vento e da Minha Vida

O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.

O vento varria as luzes
O vento varria as músicas
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.

O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afeto e de mulheres.

O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.

Manuel Bandeira





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