7 de nov de 2009

Pode ser SEDE


Não seria SEDE?

No meu regima definitivo, me alimento a cada duas horas! Sem faltar uma sequer. Mesmo assim, como é tudo muito sadio, o organismo metaboliza rápido e me surpreendo com FOME! Ou pelo menos com a sensação de fome. Aproveito essas ocasiões pra tomar meus remédios e numa delas percebi que o copo d'agua que acompanha fazia uma imensa diferença.

Então, eis a questão: Eu estava tão habituada a comer a toda hora e qualquer coisa, que esquecia de tomar água. E a fome que eu pensava sentir, era SEDE!

E viva a agua! Agora, entre minhas refeições tomo pelo menos dois copos d'agua. Me sinto hidratada, leve.


TOME ÁGUA ! SUA FOME PODE SER SEDE!





E olha só o que encontrei:


...comer menos

Nosso corpo confunde as sensações de fome e sede. Ao tomar bastante água antes das refeições, tendemos a comer menos.

...estocar menos carboidrato

Quando se toma água regularmente, o organismo fica com o metabolismo mais rápido e é obrigado a usar suas reservas de carboidrato como combustível para dar conta do funcionamento acelerado. Isso significa que, ao tomar água, boa parte das massas, pães e arroz que você comer não será estocada.

...acelerar o metabolismo

Beber 2 copos de água acelera a queima de calorias em 30% durante 30 minutos, revelou um estudo alemão. Se você beber 2 copos a cada meia hora, elevará seu ritmo metabólico durante todo o dia.

...queimar mais gordura

As células de gordura são feitas de líquidos e precisam de uma quantidade específica de água para se manter. Ao alterar a proporção de líquido, essas células tendem a se desfazer.

Fonte: Blog Mudança de hábito






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"SPLEEN"


"SPLEEN"

E a vida continua... E continua
o mesmo outono e o mesmo tédio... Os galhos
vão ficando tão nus, a alma tão nua,
e os meus cabelos pretos tão grisalhos!

Vem aí Dom Inverno... Vem com sua
neurastenia... Uns últimos retalhos
de folhas mortas passam pela rua:
e passa o bando dos meus sonhos falhos...

Triste inutilidade desta vida!
Uma árvore ainda espera, aborrecida,
uma impossível primavera... E ao ver

sua silhueta rendilhando o poente,
penso em alguém que espero inutilmente,
numa inútil vontade de viver!

Guilherme de Almeida






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Pequena elegia para mais uma esperança



Chegarás sempre na última palavra
na tarde noturna do desejo
onde a paixão se recolhe
e deposita até os fantasmas
febris do desespero
Chegarás na bruma
das sílabas sonoras do amor
o ar sonando no sonho
como uma nuvem que se perdeu
e fica boiando no horizonte
Chegarás como a sombra
quente do sol
esquecida no adeus
Chegarás para dizer
que o amor revela-se
à luz noturna das palavras

Luiz de Miranda






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OUTONAL



Cai uma folha,
depois outra...
E mais uma se vai ao vento.

Muda tudo
todo o tempo
e voa longe o meu pensamento.

Vai vagando além mar
com medo de muito sonhar
e nesse sonho distante
temendo não lhe encontrar.

E a folha se vai ao vento
parecendo o tempo levar
deixando meu pensamento
livre, solto
a levitar.

Fátima Schweitzer





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DANÇA DAS HORAS



Na minha casa
Não há hora certa:
Cada relógio,
Um tempo diferente.

Hora de comer?
Hora de dormir!
Hora de sonhar?
Hora de partir!

Ora, de amar...
Amar é pra vida inteira,
Amar sem eira nem beira,
Sem dia nem hora nem lugar...
Amar sem tempo, amar de corpo

inteiro,
Sem medo, sem constrangimento!

Hora, ora!
Hora é coisa
Pra despertador,
Pra trabalhador,
Pra monotonia
Do dia-a-dia...
E existe hora pra Poesia?

Anamaria Kovács





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Constelação




O tempo para,
A vida para,
O mundo sussurra.
Você dança,
Dança e dança.
O mundo é seu salão.
O Universo é seu salão.
Você é a estrela
Que se lança
Pra ver se alcança
A sua própria constelação
Onde seu brilho não se esgota
E a sua alma gaivota,
É uma das cinco pontas
Da sua própria perfeição.

Tonho França









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6 de nov de 2009

Passagens



Entro e saio de ti
sem sentir
resistências
nem percebo as portas
ou se existem
paredes
nesta residência
onde vive tua alma
livre e enluarada
beijo teu coração
entre alado e aflito
atravesso janelas, descubro
escadas e transparências
encontro sótãos, saídas
visito teus porões
e labirintos, jardins
sinto saudades do eterno
presente em ti
e em mim...

Ana Luisa Kaminski


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Hora Azul




Hora azul. No parque, o ocaso
tem sugestões de pintura.
Crescem as sombras e a alvura
dos cisnes, no tanque raso.

O velho jardim de luxo
parece um vaso de aromas.
Harmonias policromas
sobem d'água do repuxo.

A tarde cai dos espaços
como uma flor, a um arranco
do vento, cai aos pedaços.

E a noite vem... No jardim,
o luar, como um pavão branco,
abre a cauda de marfim.

Onestaldo de Pennafort

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Saudades




Se queres compreender o que é saudade
Terás que antes de tudo conhecer
Sentir o que é querer, o que é

ternura
E ter por bem um grande amor, viver

Então compreenderás o que é saudade
Depois de ter vivido um grande amor
Saudade é solidão, melancolia
É nostalgia, é recordar, viver

Mário Palmério


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SONETO A QUATRO MÃOS

Tudo de amor que existe em mim foi dado
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.

Paulo Mendes Campos e
Vinícius de Moraes

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GOTA D’ÁGUA




Olha a paisagem que enlevado estudo!...
Olha este céu no centro! olha esta mata
E este horizonte ao lado! olha este rudo
Aspecto da montanha e da cascata!...

E o teu perfil aqui sereno e mudo!
Todo este quadro que a alma me arrebata,
Todo o infinito que nos cerca, tudo!
D'água esta gota ao mínimo retrata!...

Chega-te mais! Deixa lá fora o mundo!
Vê o firmamento sobre nós baixando;
Vê de que luz suavíssima me inundo!...

Vai teus braços, aos meus, entrelaçando,
Beija-me assim! vê deste azul no fundo,
Os nossos olhos mudos nos olhando!...

Emílio de Meneses
(1867-1918)


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"ACASO"


Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é

única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de

nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso. "

Antoine de Saint-Exupéry


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Essa que eu hei de amar…



Essa que eu hei de amar perdidamente um dia
será tão loura, e clara, e vagarosa, e bela,
que eu pensarei que é o sol que vem, pela janela,
trazer luz e calor a essa alma escura e fria.


E quando ela passar, tudo o que eu não sentia
da vida há de acordar no coração, que vela…
E ela irá como o sol, e eu irei atrás dela
como sombra feliz… — Tudo isso eu me dizia,

quando alguém me chamou. Olhei: um vulto louro,
e claro, e vagaroso, e belo, na luz de ouro
do poente, me dizia adeus, como um sol triste…

E falou-me de longe: "Eu passei a teu ado,
mas ias tão perdido em teu sonho dourado,
meu pobre sonhador, que nem sequer me viste!"

Guilherme de Almeida


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RETRATO PARA SER VISTO DE LONGE



Sou um ser, o outro é metade
que não sabe de onde veio.
Sou treva, sou claridade.
Solidão partida ao meio
e entre os dois a eternidade.

Sei quem sou, não me conheço.
Parado, estou sempre indo
para um país sem regresso.
Sou fonte e estou me esvaindo,
fluir sem fim nem começo.

Coração partido ao meio,
pulsando em cada metade.
O lirismo do espantalho
a espuma do devaneio.
Entre os dois a eternidade.

Francisco Carvalho
in Pastoral dos Dias Maduros (1977)



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Fogo e Serragem



Às vezes, sinto-me sem vontade
de tudo e de nada.
Amorfa,
moldo-me aos moldes
dos desejos alheios.
A dor, camuflada.
Os gemidos, sufocados.
Agonizo, molhada:
serragem
Às vezes,
embaixo de cinzas,
crepito, aqueço-me,
e em labaredas, refaço a luz
antiga,
subitamente.
Ardo,
em cadeia,
acendo tudo mais
que há por perto.
Incendeio, fogo em jogo
lúdico, atroz...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes


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Na noite cor de sono, cor de sonho



Na noite cor de sono, cor de sonho,
Fulgurando na treva, um raio

estronda,
Final do céu, divino mas medonho.
E uma mulher sem ter onde se esconda,
Os cabelos desfeitos, aparece
E em meus braços se atira. Então,

absorto,
Vi que o corpo, quando ama,

desfalece,
Vi que o rosto, ao beijar, parece

morto.
Como se o beijo os lábios lhe

torcesse,
A boca toma a forma de um sorriso
Que se contrai, como se o beijo

doesse.
Visões do amor, possuídas mas

incertas.
O corpo se entregou, mas indeciso,
E deixou-se cair de mãos abertas.

Dante Milano

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Beijo do Arlequim


O beijo da mulher!
Ó sinfonia louca da sonata
que o amor improvisa na boca...
No contado do lábio, onde a emoção

acorda,
sentir outro vibrar, como vibra uma

corda...
À vaga orquestração da frase que

sussurra
ver um corpo fremir tal qual uma

bandurra...
Desfalecer ouvindo a música que canta
no gemido de amor que morre na

garganta...
Colar o lábio ardente à flor de um

seio lindo,
ir aos poucos subindo...ir aos poucos

subindo...
até alcançar a boca e escutar, num

arquejo,
o universo parar na síncope de um

beijo!

Menotti Del Picchia

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BORBOLETA



Sou tua borboleta.
E em câmara lenta,
Como doce miragem,
Afago teus desejos
Com toques do pólen
[que espalho]
Nos teus olhos,
Nos teus lábios,
Nos teus pêlos.
De um dourado leve
Preencho teus instintos
E sopro um suspiro
[sopro de borboleta]
Por entre teus gemidos
E bocejos,
Ao despertares do sonho
[preguiçoso]
De romperes meu casulo
E me prenderes
Em teu amor.

Lilian Maial

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AS SEM-RAZÕES DO AMOR


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

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A DIOS

Tela Berthe Morisot

¿No es delirio, Señor? Tú, el absoluto
en belleza, poder, inteligencia;
Tú, de quien es la perfección esencia
y la felicidad santo atributo;

Tú, a mí, que nazco y muero como el bruto,
Tú, a mí, que el mal recibo por herencia,
Tú, a mí, precario ser, cuya impotencia
sólo estéril dolor tiene por fruto...

¿Tú me buscas ¡oh Dios! Tú el amor mío
te dignas aceptar como victoria
ganada por tu amor a mi albedrío?

¡Sí! no es delirio: que a la humilde escoria,
digno es de tu supremo poderío
hacer capaz de acrecentar tu gloria!

Gertrudis Gómez de Avellaneda


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Cortejo


Tela de John Atkinson

Monotonias das minhas retinas...
Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...
Todos os sempres das minhas visões! "Bom giorno, caro."

Horríveis as cidades!
Vaidades e mais vaidades...
Nada de asas! Nada de poesia! Nada de alegria!
Oh! Os tumultuários das ausências!
Paulicéia - a grande boca de mil dentes;
e os jorros dentre a língua trissulca
de pus e de mais pus de distinção...
Giram homens fracos, baixos, magros...
Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...

Estes homens de São Paulo,
Todos iguais e desiguais,
Quando vivem dentro dos meus olhos tão ricos,
Parecem-me uns macacos, uns macacos.


Mário de Andrade

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Jura não Secreta



quando a ciranda de roda
atravessou minha rua
com teus fogos de artifícios
pelos céus da tua boca

foi então que eu quis a lua
e disse então sem sabê-la
antes que ela me visse

e neste dia eu vi Alice
quando então ela me disse:
- foi neste chão que eu fiz Estrela

Paulo Leminski

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Cravos vermelhos




Bocas rubras de chama a palpitar,
Onde fostes buscar a cor, o tom,
Esse perfume doido a esvoaçar,
Esse perfume capitoso e bom?!

Sois volúpias em flor! Ó gargalhadas
Doidas de luz, ó almas feitas risos!
Donde vem essa cor, ó desvairadas,
Lindas flores d´esculturais sorrisos?!

…Bem sei vosso segredo…Um rouxinol
Que vos viu nascer, ó flores do mal
Disse-me agora: “Uma manhã, o sol,

O sol vermelho e quente como estriga
De fogo, o sol do céu de Portugal
Beijou a boca a uma rapariga…”

Florbela Espanca
In A mensageira das violetas

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O Quarto em desordem




Na curva perigosa dos cinqüenta
derrapei neste amor. Que dor! que pétala
sensível e secreta me atormenta
e me provoca à síntese da flor.

que não se sabe como é feita: amor,
na quinta-essência da palavra, e mudo
de natural silêncio já não cabe
em tanto gesto de colher e amar.

a nuvem que de ambígua se dilui
nesse objeto mais vago do que nuvem
e mais defeso corpo! corpo,corpo,

verdade tão final , sede tão vária,
e esse cavalo solto pela cama,
a passar o peito de quem ama.

Carlos Drummond de Andrade

Encantamento



Ante o deslumbramento do teu vulto
sou ferido de atônita surpresa
e vejo que uma auréola de beleza
dissolve em lua a treva em que me oculto.

Estás em cada reza do meu culto,
sonhas na minha lânguida tristeza,
e, disperso por toda a natureza,
paira o deslumbramento do teu vulto.

É tua vida a minha própria vida,
e trago em mim tua alma adormecida...
Mas, num mistério surdo que me assombra,

Tu és, às minhas mãos, fluida, fugace,
como um sonho que nunca se sonhasse
ou como a sombra vã de uma outra sombra...

Abgar Renault

EU PRECISO DE UM SONHO



Descobri algo estranho em minha vida
Talvez... muitos não possam entender...
Eu preciso de um sonho e enternecida
Vivê-lo para que eu possa escrever...

Um sonho... mesmo nunca realizado
Para fazer vibrar meu coração
Imaginar alguém tão esperado
Das estrelas até minha emoção.

Eu preciso de um sonho... não me importo
Com as cores que possa ter, o som...
Eu preciso que exista... seja bom...

Viver sem esse sonho eu não suporto
Pois minh'alma nasceu pra se encantar
Com os doces momentos de sonhar...

Meimei Corrêa

" Alvorda Eterna "



Quando formos os dois já bem velhinhos,
já bem cansados, trôpegos, vencidos,
um ao outro apoiados, nos caminhos,
depois de tantos sonhos percorridos...

Quando formos os dois já bem velhinhos
a lembrar tempos idos e vividos,
sem mais nada colher, nem mesmo espinhos
nos gestos desfolhados e pendidos...

Quando formos só os dois, já bem velhinhos,
lá onde findam todos os caminhos
e onde a saudade, o chão, de folhas junca...

Olha amor, os meus olhos, bem no fundo,
e hás de ver que este amor em que me inundo
é uma alvorada que não morre nunca!


JG de Araujo Jorge - coletânea -
"Meus Sonetos de Amor "

ORAÇÃO AO SOL DE AMANHÃ



Preciso sonhar um sonho novo,
Preciso saber perder um velho sonho,
Preciso gerar um novo sonho
E crer nas sempre novas possibilidades
Que o que há de vir me oferece.
Preciso encontrar o que mereço em outro endereço,
E que seja logo, que seja breve.
Preciso daquela esperança de um dia após o outro
Que a travessia do tempo me concede.
Ó futuro, não me deserde!"

Elisa Lucinda
in "A Fúria da Beleza"

Crepúsculo



Teus olhos, borboletas de ouro, ardentes
Borboletas de sol, de asas magoadas,
Pousam nos meus, suaves e cansadas
Como em dois lírios roxos e dolentes…

E os lírios fecham… Meu amor não sentes?
Minha boca tem rosas desmaiadas,
E a minhas pobres mãos são maceradas
Como vagas saudades de doentes…

O silêncio abre as mãos… entorna rosas…
Andam no ar carícias vaporosas
Como pálidas sedas, arrastando…

E a tua boca rubra ao pé da minha
É na suavidade da tardinha.
Um coração ardente palpitando…

Florbela Espanca in
A mensageira das violetas

A Uma Desconhecida



Tua beleza é como essa tentação que passa,
Cujo encanto fugaz inda brilha e palpita,
Cheio de frutos bons, leve de aroma e graça,
De um aroma ideal, de uma graça esquisita.

Ainda ao tronco gentil o desejo estrelaça
As rosas do prazer e a doçura infinita;
Quanto, porém, a luz vai se tornando escassa...
Quanta folha caiu dessa árvore bendita!

Em te vendo passar, ó doce fim de outono,
Fechada na estamenha escura do abandono,
Como zéfiro fala ao ouvido da rosa!

Ah, pudesse eu falar-te, um dia, voluptuosa,
Sem palavras, assim como uma sombra estranha,
Como zéfiro fala ao ouvido da rosa!

Emiliano Perneta
In Setembro (1934).

Soneto XXV


O nosso ninho, a nossa casa, aquela
nossa despretensiosa água-furtada,
tinha sempre gerânios na sacada
e cortinas de tule na janela.

Dentro, rendas, cristais, flores... Em cada
canto, a mão da mulher amada e bela
punha um riso de graça. Tagarela,
teu cenário cantava à minha entrada.

Cantava... E eu te entrevia, à luz incerta,
braços cruzados, muito branca, ao fundo,
no quadro claro da janela aberta.

Vias-me. E então, num súbito tremor,
fechavas a janela para o mundo
e me abrias os braços para o amor!

Guilherme de Almeida

PARA FAZER UM SONETO




Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
e espere um instante ocasional
neste curto intervalo Deus prepara
e lhe oferta a palavra inicial

Ai, adote uma atitude avara
se você preferir a cor local
não use mais que o sol da sua cara
e um pedaço de fundo de quintal

Se não procure o cinza e esta vagueza
das lembranças da infância, e não se apresse
antes, deixe levá-lo a correnteza

Mas ao chegar ao ponto em que se tece
dentro da escuridão a vã certeza
ponha tudo de lado e então comece.

Carlos Pena Filho

SER MÃE

Quando todos te condenem
quando ninguém te escutar,
ela te escuta e perdoa,
pois ser mãe - é perdoar!

Quando todos te abandonem
e ninguém te queira ver,
ela te segue e procura
pois ser mãe - é compreender!

Quando todos te negarem
um pão, um beijo, um olhar,
ela te ampara e acarinha
pois ser mãe - sempre é se dar!

J G de Araújo Jorge

Sai a passeio, mal o dia nasce...


XIX

Sai a passeio, mal o dia nasce,
Bela, nas simples roupas vaporosas;
E mostra às rosas do jardim as rosas
Frescas e puras que possui na face.

Passa. E todo o jardim, por que ela passe,
Atavia-se. Há falas misteriosas
Pelas moitas, saudando-a respeitosas...
É como se uma sílfide passasse!

E a luz cerca-a, beijando-a. O vento é um choro
Curvam-se as flores trêmulas ... O bando
Das aves todas vem saudá-la em coro ...

E ela vai, dando ao sol o rosto brendo.
Às aves dando o olhar, ao vento o louro
Cabelo, e às flores os sorrisos dando...

Olavo Bilac

MÃE


Mãe... São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras
E nelas cabe o infinito.

Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disse
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer.

Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!

Mário Quintana

Soneto Superficial e Esguio Como Madame


Madame, em vosso claro olhar, e leve,
navegam coloridas geografias,
azul de litoral, paredes frias,
vontade de fazer o que não deve

ser feito, por ser coisa de outros dias
vivida num instante muito breve,
quando extraímos sal, areia e neve
de vossas mãos, singularmente esguias.

Que eternos somos, dúvida não tenho,
nem posso abandonar minha planície
sem saber se em vós há o que em vós venho

buscar. E embora em nós tudo nos chame,
jamais navegarei a superfície
de vosso claro e leve olhar, Madame.

Carlos Pena Filho

Espaço lírico




Não amo o espaço que o meu corpo ocupa
Num jardim público, num estribo de bonde.
Mas o espaço que mora em mim, luz interior.
Um espaço que é meu como uma flor


Que me nasceu por dentro, entre paredes.
Nutrido à custa de secretas sedes.
Que é a forma? Não o simples adorno.
Não o corpo habitando o espaço, mas o espaço


Dentro do meu perfil, do meu contorno.
Que haja em mim um chão vivo em cada passo
(mesmo nas horas mais obscuras) para


Que eu possa amar a todas as criaturas.
Morte: retorno ao incriado. Espaço:
Virgindade do tempo em campo verde.

Cassiano Ricardo

Poeminha Sentimental



O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma e canta
Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!
Canta e vai-se embora outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor
é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.!

Mário Quintana

SONETO


Fazei, depois, também o meu retrato,
Como vereis que sou na realidade:
Sem alma e coração, pela vontade
Do milagroso Amor, que não combato.

Sou nave sem comando ou imediato
Sem vela ou mastro, em meio à tempestade,
Buscando essa bendita claridade
Que em toda parte aponta o rumo extato.

E prestai atenção que meu semblante
Seja do lado esquerdo aflito e incerto
E do direito, alegre e triunfante;

A dupla face exprimirá, decerto,
Tanto o prazer de estar com meu amante
Quanto o temor de que outra ande por perto.

(Gaspara Stampa)

Sonnets from the Portuguese
I

I thought once how Theocritus had sung
Of the sweet years, the dear and wished-for years,
Who each one in a gracious hand appears
To bear a gift for mortals, old or young;

And, as I mused it in his antique tongue,
I saw, in gradual vision through my tears,
The sweet, sad years, the melancholy years,
Those of my own life, who by turns had flung

A shadow across me. Straightaway I was 'ware,
So weeping, how a mystic Shape did move
Behind me, and drew me backward by the hair;

And a voice said in mastery, while I strove,--
Guess now who holds thee?--Death, I said, But, there,
The silver answer rang,--Not Death, but Love.

Elizabeth Barrett


ELIZABETH BARRETT BROWNING

Elizabeth Barrett, an English poet of the Romantic Movement, was born in 1806 at Coxhoe Hall, Durham, England. The oldest of twelve children, Elizabeth was the first in her family born in England in over two hundred years. For centuries, the Barrett family, who were part Creole, had lived in Jamaica, where they owned sugar plantations and relied on slave labor. Elizabeth's father, Edward Barrett Moulton Barrett, chose to raise his family in England, while his fortune grew in Jamaica. Educated at home, Elizabeth apparently had read passages from Paradise Lost and a number of Shakespearean plays, among other great works, before the age of ten.

By her twelfth year she had written her first "epic" poem, which consisted of four books of rhyming couplets. Two years later, Elizabeth developed a lung ailment that plagued her for the rest of her life. Doctors began treating her with morphine, which she would take until her death. While saddling a pony when she was fifteen, Elizabeth also suffered a spinal injury. Despite her ailments, her education continued to flourish. Throughout her teenage years, Elizabeth taught herself Hebrew so that she could read the Old Testament; her interests later turned to Greek studies. Accompanying her appetite for the classics was a passionate enthusiasm for her Christian faith. She became active in the Bible and Missionary Societies of her church.

In 1826 Elizabeth anonymously published her collection An Essay on Mind and Other Poems. Two years later, her mother passed away. The slow abolition of slavery in England and mismanagement of the plantations depleted the Barrett's income, and in 1832, Elizabeth's father sold his rural estate at a public auction. He moved his family to a coastal town and rented cottages for the next three years, before settling permanently in London. While living on the sea coast, Elizabeth published her translation of Prometheus Bound (1833), by the Greek dramatist Aeschylus.
Gaining notoriety for her work in the 1830's, Elizabeth continued to live in her father's London house under his tyrannical rule. He began sending Elizabeth's younger siblings to Jamaica to help with the family's estates. Elizabeth bitterly opposed slavery and did not want her siblings sent away. During this time, she wrote The Seraphim and Other Poems (1838), expressing Christian sentiments in the form of classical Greek tragedy.

Due to her weakening disposition she was forced to spend a year at the sea of Torquay accompanied by her brother Edward, whom she referred to as "Bro." He drowned later that year while sailing at Torquay and Elizabeth returned home emotionally broken, becoming an invalid and a recluse. She spent the next five years in her bedroom at her father's home. She continued writing, however, and in 1844 produced a collection entitled simply Poems. This volume gained the attention of poet Robert Browning, whose work Elizabeth had praised in one of her poems, and he wrote her a letter.
Elizabeth and Robert, who was six years her junior, exchanged 574 letters over the next twenty months. Immortalized in 1930 in the play The Barretts of Wimpole Street, by Rudolf Besier (1878-1942), their romance was bitterly opposed by her father, who did not want any of his children to marry.

In 1846, the couple eloped and settled in Florence, Italy, where Elizabeth's health improved and she bore a son, Robert Wideman Browning. Her father never spoke to her again. Elizabeth's Sonnets from the Portuguese, dedicated to her husband and written in secret before her marriage, was published in 1850. Critics generally consider the Sonnets—one of the most widely known collections of love lyrics in English—to be her best work. Admirers have compared her imagery to Shakespeare and her use of the Italian form to Petrarch.

Political and social themes embody Elizabeth's later work. She expressed her intense sympathy for the struggle for the unification of Italy in Casa Guidi Windows (1848-51) and Poems Before Congress (1860). In 1857 Browning published her verse novel Aurora Leigh, which portrays male domination of a woman. In her poetry she also addressed the oppression of the Italians by the Austrians, the child labor mines and mills of England, and slavery, among other social injustices. Although this decreased her popularity, Elizabeth was heard and recognized around Europe.
Elizabeth Barrett Browning died in Florence on June 29, 1861.


Poetry

A Drama of Exile: and other Poems (1845)
An Essay on Mind, with Other Poems (1826)
Aurora Leigh (1857)
Casa Guidi Windows: A Poem (1851)
Elizabeth Barrett Browning: Hitherto Unpublished Poems and Stories (1914)
Last Poems (1862)
Miscellaneous Poems (1833)
Napoleon III in Italy, and Other Poems (1860)
New Poems by Robert and Elizabeth Barrett Browning (1914)
Poems (1844)
Poems before Congress (1860)
Poems: Fourth Edition (1856)
Poems: New Edition (1850)
Poems: Third Edition (1853)
Sonnets from the Portuguese (1850)
The Battle of Marathon: A Poem (1820)
The Complete Poetical Works of Elizabeth Barrett Browning (1900)
The Complete Works of Elizabeth Barrett Browning (1900)
The Poems of Elizabeth Barrett Browning (1850)
The Poetical Works of Elizabeth Barrett Browning (1889)
The Poetical Works of Elizabeth Barrett Browning (1897)
The Seraphim and Other Poems (1838)
Two Poems (1854)

Fonte: Confraria Poética I

CIGANOS EM VIAGEM

Tela de Royo


A horda profética das pupilas ardentes
Pôs-se a caminho, tendo às costas a ninhada,
Ou saciando-lhe a altiva gula imoderada
Como o farto tesouro das mamas pendentes.

Os homens vão a pé, com armas reluzentes,
Junto à carroça que dos seus vai apinhada,
Esquadrinhando o céu, a vista atormentada
Pela sombria dor das quimeras ausentes.

O grilo, ao fundo de uma frincha solitária,
Vendo-os passar, uma outra vez canta sua ária;
Cibele, que os adora, o verde faz crescer,

Rebenta as fontes e de flor enche o deserto
Ante esses que aí vão, deixando-lhes aberto
O império familiar das trevas por nascer.

Charles Baudelaire