19 de set de 2009

Maldita dor


Foi como se tivesse sido agora:
- Tudo tão real, tão presente
que bem poderia ser um sonho,
um pesadelo, de tão ruim:

- uma história que não tem fim,
que não se define, não tem limite,
não me liberta, não me deixa viver,
que me deprime e me enlouquece.

Droga de vida! Maldita dor
que me consome, me destroi
e me prende à crueldade desse amor:

- doente, vazio, só, unilateral,
incompreensível, antinatural:
- amar sem ser amado

Regina Helena

O Cortejo

Tela de John Atkinson

O Cortejo

e então, seguíamos na longa caminhada
pasmos, lívidos ante a dor medonha...
e em nosso rastro, a solidão da noite
a nos contemplar, sombria e muda!

parecíamos zumbis, calados, tristes...
entre um suspiro e outro,
a dor se revelando... e a noite,
parecia só nossa, calma, cúmplice...

mas, numa curva qualquer desse caminho,
pessoas em festa! um cão latindo,
crianças brincando! casais sorrindo!
gritos de alegria. Dança!

Eles não veem a nossa dor passar?
não sabem que o céu desabou sobre nós
e a terra se abriu e nos deixou sem chão?
Como podem viver, se a morte passa?!!!

e então, em meio à dor, o entendimento!
o inexorável, o inevitável fim,
vem para todos! mas naquele dia,
era a nossa vez, e a dor, só nossa!

regina helena

Solidão sem fim...


Solidão sem fim...

Luar lá fora...
E em meu rosto,
lágrimas em cântaros!

Diante de mim,
na noite enluarada,
cheia de brilhos e encantos,
a minha última esperança:
- Teu vulto por aquela estrada!

Silêncio... Solidão...
E um angustiado coração...
Esperançoso, desencantado...
E por fim... Nada,
apenas o abismo...
Da dor e da saudade!

Regina Helena

Poema para o nosso adeus…


Poema para o nosso adeus…

Um vento frio gelou a minha alma
quando percebi que ia te perder.

Havia evidências no caminho
de que precisavas ir... Ainda assim,
busquei nos teus olhos
a esperança de um milagre de amor...

Mas só vi uma enorme tristeza
emoldurando o teu rosto amado,
tentando mascarar de alegria
um sorriso de dor.

Tu me querias feliz
mas não se manda no coração.
E era para ti um fim,
quando para mim, jamais existiria.

E num misto de loucura e dor,
tomei coragem pra te libertar.

Arranquei de dentro do meu peito
uma força que não existia,
e te deixei voar livre, para o teu destino.

Ganhaste a liberdade... E eu,
naquele momento, perdi a minha vida.

Regina Helena

Pai


Pai

Ah, meu pai...
O Senhor nos deu todas as alegrias
e também a maior de todas as tristezas:
- A despedida...
Foi como se tudo sumisse
e o chão faltasse aos nossos pés...
Vimos o calar do nosso canto,
na tristeza da nossa voz;
os motivos pra viver se anularem
e a vida que nos sorria,
perder todo o sentido...
Até que a dor calou,
dando lugar à riqueza que nos deixou:
- O otimismo, o amor, a esperança...
Suas palavras sábias nos guiaram,
nos mostraram as oportunidades
e o caminho da retidão.
A vida continuou sem você,
mas cheia do seu amor...
E da sua saudade...

Regina Helena

Tarde demais...


Tarde demais...

E então ali, frente a frente te vi...
Desfilaram diante de mim
cenas de um de um amor
que poderia ter durado
o tempo de uma eternidade.

Uma louca e desesperada paixão
e o momento de partir...

Naquele instante pude ver que,
pior do que o triste adeus
foi sentir a diferença
entre o que foi a minha vida,
e o poderia ter sido, contigo.

Busquei no teu rosto a esperança
de juntar nossos pedaços,
o que restou de nós...

Mas o tempo desnivelou nossas emoções.
E estava escrito, na tristeza do teu sorriso
que, mais uma vez,
era tarde demais para nós.

Regina Helena

Poema das tuas lágrimas


Poema das tuas lágrimas

O teu sorriso farto me anima,
me encanta... e me atormenta...
Lembra-me que um dia eu te fiz chorar.
Querias invadir o meu interior,
e eu, no meu egoísmo,
fechava espaços, ocultava emoções.
Até que vi brilhar em tua face
uma reticente lágrima... E eu vi, em ti,
que um homem chora!
Jamais esqueci, e se eu pudesse,
voltaria no tempo...
Pra dizer mil vezes que te amo,
que és tudo para mim...
O meu Céu, a minha esperança,
o meu amor, a minha vida!
E te deixaria conhecer o meu íntimo
e saquear a minha alma...
Pra nunca ter te visto chorar...
Mas... Essa não seria eu!
E, sendo eu outra pessoa, tu me amarias?
Ou, eu te amaria sendo eu outra pessoa?
Talvez não, e então...
Tu não terias chorado...
E eu, teria perdido o teu amor...

Regina Helena

Aba da Serra II


Aba da Serra II

Nesse cantinho abandonado já teve vida,
e vida abundante!
O gado pastava nos capinzais
e o algodão brilhava sob o sol inclemente.
Era uma linda vista para a nossa calçada.
Posso ainda ouvir o silvar do vento,
sentir o cheiro do mato... e até ver,
com olhos do passado, a nossa vida.
A gente fantasiava em cima da realidade
e era como se fosse um céu na Terra.
Nosso pé de cajarana “morria”,
mas nascia de novo na floração.
E para nosso encanto,
vestido de verde com florzinhas claras.
Um primor! Um esplendor de Deus.
Ali fomos muito felizes.
Alguns já não existem...
Nem o pé de cajarana, nem o plantio do algodão,
nem o gado pastando... e nem a alegria.
Só a Saudade!

Regina Helena

Cândida, o nome de um poema...


Cândida, o nome de um poema...

Fogo que devora sem dó ou timidez
as sementes do mal, assim tu és...
Pura como as águas cristalinas
de uma pequenina e borbulhante nascente,
tens o dom de suavizar a dor, acalmar, confortar...

Porque és mãe, tens em ti toda a bondade do universo,
e a força de uma águia ao proteger sua cria,
sem no entanto vacilar em jogá-la do abismo,
para que ela possa sobreviver no dia mau.

Revestida do amor de Deus,
és um Anjo de bondade,
que suporta e supera a dor das adversidades...

És valente e destemida na luta pelo bem
e consegues colher com humildade
os frutos dos teus atos.

Extremos que se harmonizam:
- Força e coragem, singeleza e humildade.

Todas as palavras do mundo
não poderiam te descrever. No entanto,
apenas uma, o AMOR,
pode se aproximar de tudo que tu és!

Regina Helena

Apenas uma chama…


Apenas uma chama…

Uma estrelinha cadente
brilhou por instantes em nosso Céu
Irradiou sua luz, nos deu paz,
nos encheu de esperanças,
deu sentido à nossa vida,
motivos para viver... E passou!
Refulgiu e apagou na mais longa
e escura noite das nossas vidas.
Levou com ela a esperança,
entristeceu nossa casa,
e calou nosso canto!
Era apenas uma chama...
Tão pequenina e frágil,
mas preciosamente inesquecível.
Estava no nosso destino perder esse sonho,
longamente acalentado no peito...
O seu Céu não era o nosso,
e ela foi brilhar em outros horizontes...
Ou quem sabe ainda,
foi chamada para compor junto aos anjos,
um coro ao Criador.

Regina Helena
Para Andréa, nossa filha que viveu apenas oito horas.

Cigana


Cigana

Sem estação que te prenda
ou teto que te escravize,
fazes da estrada a tua vida.

Tens tudo de que precisas:
- O céu estrelado por teto,
tua religião - a liberdade,
uma fogueira pra te aquecer,
e para te alegrar, violinos e canções!

E se for preciso, cantas um fado,
fazendo do coração um fogaréu,
enquanto tua alma toca castanholas...

És livre como a águia...
E por trás do teu sorriso imenso,
escondes o feitiço do teu olhar.

Senhora do teu destino!

No intenso vermelho de tuas vestes,
cultuas a tragédia da sedução e da paixão.

És cigana... De alma cigana...
Ainda que por um amor,
o teu corpo viva na cidade...

Regina Helena
Para minha amiga, Suely Saad.

Um pouco de Ti


Um pouco de ti...

Nada sei de ti, nunca te vi,
nem ouvi tua voz.

Imagino teu hálito de mate e vinho,
tua exuberante alegria
se opondo à quietude da tua vida.

E, em matizes contrastantes,
ora menina que sonha,
ora mulher que chora,
tens alma etérea, fugidia...
Como o vento!

E coração ardente e forte...
Como o Sol!

Linda imagem de Senhora,
de infinitos silêncios...
E infinita sabedoria!

Regina Helena
Para Minha amiga gaúcha Madalena

Ocaso de mim...

Ocaso de mim...

Raia o Sol de um novo dia:
- Os pássaros saúdam a alvorada,
as flores se abrem e os rios cantam.
As águas parecem mais cristalinas
e o viver mais intenso!

Assim também foi a minha vida.
Amando loucamente não pensei
que um dia, sozinho, contemplaria
o amanhecer ou as estrelas no Céu.
Já não há um novo começo!

No ocaso da minha vida,
já não há brilho, já não há luz.
As crianças não cantam,
e nem os rios transbordam!

A passarada se despede em bandos,
como se não quisesse ver o fim do dia.
Assim como eu não quero,
nem posso, suportar o meu fim...

Regina Helena

“Sem esperanças”


Sem esperanças

A noite se aproxima,
e com ela, o vento frio da dor.

Nem sei o que mais temo,
se à noite, ou o novo amanhecer...

Tudo é igual...
Sempre a sensação de perda,
da falta de esperança
que para mim não renascerá,
pois já não há tempo...
Eu te perdi!

Dentro de mim te busco
desesperadamente,
na lembrança da tua pele
da tua boca,
do teu sorriso...

Mas só encontro o mesmo frio,
do medo e da solidão,
que preenchem o vazio
que você deixou.

Se eu pudesse,
transformaria essa dor em canto!
Um canto cheio de nostalgia,
de tristeza e desesperança...

Um canto de apenas três acordes:
- Dor, saudade e solidão!

Regina Helena




Sem você

Imagem da Internet

Sem você

Como será a manhã
do desalento de ver você partir?
Como será esse caminhar
sem esperança?
Como será amanhã ao anoitecer,
quando as luzes se ascenderem
e já não tiverem brilho?
Como será o dia após a dor,
o dormir sem esperança,
o acordar sozinha?

Como vou fazer no amanhã?
Você me deu tantas diretrizes,
mas não me ensinou
como eu viveria sem você!
Planejamos tanto, amamos tanto!
E agora, o que me resta?
- Carregar a dor, olhar sem ver...
Suportar a vida sem você!


Regina Helena
(letra de música)

Jamais esquecerei...

Matinho do nosso quintal por Jevan Siqueira

Jamais esquecerei...

Lembro com ternura aquele dia,
quando desafiando a tudo e a todos,
roubamos um instante de amor...
Aquele era o momento, ou nunca mais...

Havia promessas nas nossas vidas
que jamais poderiam ser quebradas,
mas o querer foi maior que o poder.
E mesmo diante do medo da maldição,
me coloquei acima do bem e do mal,
fechei os olhos para o depois,
e fui ao teu encontro...

A lembrança daquele dia
é o tormento da minha alma:
- Carrego comigo sensações conflitantes,
de angustiante remorso, mas também
da maior de todas as saudades.

Regina Helena



Pânico

Imagem da Internet

Pânico

É pela noite que me chegas,
com a face da morte me enfrentas
e me arremessas num inferno,
num porão sem fim...

colocas-me a vida em cheque,
e me emudeces...
sem chance... louca e sem vida,
nem me deixas aniquilar a consciência!

Uma brincadeira cruel do meu destino,
morrer mil vezes em tuas mãos!
Não há para onde fugir... não há saida...

de que me valem mil horas de alegrias
se passo um só minuto contigo?
ou, que me adiantaria viver mil anos
se tivesse que ver tua morte uma única vez?

De que mundo vens, quem te criou?...
tu, que tens o poder de me deixar em pânico
e me levar à lividez das faces
ante à própria sensação de EXISTIR?!!!

Regina Helena




Saudades de mim...

Tereza, Hermano e eu no meio

Saudades de mim...

Dias sombrios e longas noites
de rumores e medo sem medida.
Pingos de chuva no telhado,
e o lamento de um cão distante
que parecia não ter fim.

Hora de viver o sonho,
o raiar do dia.
Ver os riachinhos,
sentir a terra ceder aos nossos pés
minando água pura,
como puras eram as nossas lágrimas.

O verde era sem limite
e a sequidão ainda maior.
O círculo da minha terra:
- Sol excessivo, como a água após.

Saudades de mim... Dos meus pais.
Dos meus irmãos, o amor maior!
Foi essa a minha infância,
em meio à dor da enfermidade.
Ainda assim, maior é a Saudade!


Regina Helena




Letrinha e desenho da minha mãe

Em construção


OBSERVAÇÃO: SITE EM CONSTRUÇÃO

A VOZ DAS ÁRVORES


A VOZ DAS ÁRVORES

Acordo à noite assustado.
Ouço lá fora um lamento...
Quem geme tão tarde? O vento?
Não. É um canto prolongado,
- Hino imenso a envolver toda a montanha;
São em música estranha
Jamais ouvida,
Em surdina cantando,
Como um bando
De vozes numa igreja:
Margarida, Margarida!

Alberto de Oliveira