6 de ago de 2009

Ideias Soltas...



IDÉIAS SOLTAS AO LENTO E AO VENTO

* Quando um não quer dois jamais serão amigos.

* É preciso saber separar o jogo do trago...

* A mídia como é exercida atualmente é um processo de dominação. Aumenta o nível da participação da população na mesma medida em que lhe diminui o grau de consciência. Exacerba as opiniões e inibe a capacidade de analisar fatos.

* A palavra dissolve tudo o que a vida não resolve.

* O poeta vê um óbvio oculto aos demais e deixa de ver o óbvio que todos vêem. São desgraçados benditos. Seu olhar de amor percorre o acaso deslumbrante do verso da vida.

* Cultura não é filha do saber dirigido, mas da sensibilidade e da busca interior. O saber, porém, impede a cultura de se isolar e fenecer. Permite que ela seja compreendida e preservada. A partir daí o saber cria uma nova cultura. E esta é que permite o maior dos bens: a vida interior.

* A sabedoria nasce da articulação da sensibilidade com o saber.

* O mundo não é dos indiscretos. Porém é dos medianos.

* Os meios de comunicação deprimem a população através do noticiário e a publicidade comercial cria um mundo apenas eufórico, feliz e vitorioso. Geram, assim, na população, o ódio ao que é do Poder Público e a fascinação por tudo o que vem do consumo.

* O bem só conseguirá vencer o mal no dia em que souber o que é, quem é, como é e onde está.

* Lucidez só adianta depois, quando descobrem que havíamos sido lúcidos, e ninguém prestou atenção.

* A criança é um adulto que não verbaliza. O adulto que não verbaliza, criança é.

* A mulher vive para a casa, o homem para a caça.

* O poema jamais diz como gostaria de ser.

* Penso, logo, exausto...

* A superficialidade das coisas e pessoas é o que primeiro nos ilude e também o que primeiro nos desilude.

* Quem não te adivinha não te merece.

* O rock é o protesto da feiúra.

* Só o poema me faz calar.

* Abaixo o Presidencialismo. Salve o Parlamentarismo.

Artur da Távola


ARTUR DA TÁVOLA

Paulo Alberto Monteiro de Barros, nasceu no Rio de Janeiro em 03 de Janeiro de 1936. Usava o pseudônimo de Artur da Távola e foi político, escritor poeta e jornalista.

Iniciou sua vida política em 1960, no PTN, pelo estado da Guanabara. Dois anos depois, elegeu-se deputado constituinte pelo PTB. Cassado pela ditadura militar, viveu na Bolívia e no Chile entre 1964 e 1968.

Tornou-se um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e líder da bancada tucana na assembléia constituinte de 1988, ano em que concorreu, sem sucesso, à prefeitura do Rio de Janeiro, sendo posteriormente presidente do PSDB entre 1995 e 1997. Exerceu mandatos de deputado federal de 1987 a 1995 e senador de 1995 até 2003.

Como jornalista, atuou como redator e editor em diversas revistas, notavelmente na Bloch Editores e foi colunista dos jornais O Globo e O Dia, sendo também diretor da Rádio Roquette Pinto. Tornou-se especialmente notável por apresentar o programa “Quem tem medo de música clássica?”, na TV Senado.

Ultimamente, era reitor de uma universidade particular carioca e escrevia uma coluna para o jornal carioca O Dia.

Faleceu no Rio de Janeiro em 09 de Maio de 2008


4 de ago de 2009

Espectro de Mim


(Tela de Monet)

Espectro de Mim

Como nau perdida na noite,
sem destino, sem horizontes...
Assim eu sou:
- Espectro do que fui.
Apenas um vulto,
cara a cara com a solidão.

Sem rumo, sem certezas,
sem perspectivas...
Sem você.

Uma sentença em aberto...
Sem ponto final!

Regina Helena

Aba da Serra

(Foto da Aba da Serra, por Jevan Siqueira)

Aba da Serra

Tudo em ti me fascina!
O Sol que te queima, a chuva que te renova.
A alegria da passarada ao amanhecer,
e a melancólica despedida ao fim do dia.

Tuas árvores contam histórias de mim,
que só tu conheces, e os teus riachos
cantarolam as minhas saudades.

Cada folha que cai, cada ramo que nasce,
renovam o meu amor por ti,
e me levam de volta ao meu mundo.

Amo teu solo... O solo que me viu nascer.
Sou parte de ti. Tua composição está em mim,
entranhada na minha pele e em minha alma.

Onde quer que eu esteja, é em ti que estou!
Ainda que eu vá ao fim do mundo,
é em ti que eu viverei para sempre.

Regina Helena

Sem ti!

Tela: Alexis de Leeuw

Sem ti!

Contemplando o tempo se escoar,
passam diante de mim horas, minutos,
dias... enfim o ano inteiro passa!
E, como se ao fim de uma estrada,
vejo ao longe apenas o teu vulto.

Em que curva desse caminho eu te perdi?
Em que momento abri espaço
para que saísses da minha vida?

E, como se compondo uma louca melodia,
nos meus mais desvairados sonhos,
refaço tudo... Abro a porta e te vejo entrar...

E a vida volta! E com ela, minutos, horas,
dias... Enfim, o ano inteiro pára...
Enquanto eu volto a viver...

Regina Helena

NADA...

Tela de Monet

Sou um NADA!
assim me vejo,
assim me sinto!
faço de TUDO mas...
não sou mestre em NADA!
um dia faço poesia
no outro sou artesã
e sinto que
poderia até pintar...
e nessa horas,
penso que sou TUDO!

Então, a realidade se impõe
e, de repente,
volto a ser NADA!
um NADA que se dissolve
na alegria da vida,
nas dores, no sofrimento,
na mesmice da condição humana,
do poder fazer, executar,
decidir...
e, nesse momento,
volto a ser TUDO outra vez.


Regina Helena

Espera-me...

Tela de Monet

espera-me,
eu irei ter contigo um dia.

espera-me,
levarei comigo flores brancas,
de cândida alvura
e, de longe me verás, virás ao meu encontro
e juntos trilharemos o caminho interropido
rumo à eternidade.

reginahelena