23 de mai de 2009

PERPLEXIDADE


Tela de Pissaro

Não sei bem onde foi que me perdi;
talvez nem tenha me perdido mesmo,
mas como é estranho pensar que isto aqui
fosse o meu destino desde o começo.

Antonio Cicero Correa Lima

ONDA



Conheci-o no Arpoador:
Garoto versátil, gostoso,
ladrão, desencaminhador
de sonhos, ninfas e rapsodos.
Contou-me feitos e mentiras
indeslindáveis por demais.
Fui todo ouvidos, tatos, vistas
e pedras, sóis, desejos, mares.
E nos chamamos de bacanas
e prometemo-nos a vida:
comprei-lhe um picolé de manga
e deu-me ele um beijo de língua
e mergulhei ali à flor
da onda, bêbado de amor.

Antonio Cicero Correa Lima

DECLARAÇÃO


Tela de Pissaro

Quantas vezes lhe declarei o meu amor?
Declarei-o verbalmente inúmeras vezes
e o declaram todos os meus gestos tendentes
a você: a minha língua, a brincar com o som
do seu nome, Marcelo, o declara; e o declaram
os meus olhos felizes quando o vêem chegar
feito um presente e de repente elucidar
a casa inteira que, conquanto iluminada,
permanecia opaca sem você; e quando,
tendo apagado todas as lâmpadas, juntos,
no terraço, nos consignamos aos traslados
dos círculos do relógio do céu noturno
ou aos rios de nuvens em que nos miramos
e nos perderemos, declaro-o no escuro.


Antonio Cicero Correa Lima

STROMBOLI



Dormes,
Belo.
Eu não, eu velo
Enquanto voas ou velejas
E inocente exerces teu império.
Amo: o que é que tu desejas?
Pois sou o a noite, somos
Eu poeta, tu proeza
E de repente exclamo:
Tanto mistério é,
Tanta beleza.

Antonio Cicero Correa Lima

CANÇÃO DO AMOR IMPOSSÍVEL


Como não te perderia
se te amei perdidamente
se em teus lábios eu sorvia
néctar quando sorrias
se quando estavas presente
era eu que não me achava
e quando tu não estavas
eu também ficava ausente
se eras minha fantasia
elevada a poesia
se nasceste em meu poente
como não te perderia

Antonio Cicero Correa Lima

ANTONIO CÍCERO CORREA LIMA

Antonio Cícero nasceu no Rio de Janeiro em 1045. Filho de Edwaldo Correia Lima, já morto, e Amélia Burlamárqui Correia Lima, ele é irmão da cantora Marina Lima e do economista, Roberto.


As atividades públicas de Antonio Cicero se repartem entre o domínio da poesia e o da filosofia. Embora escreva poesia desde a adolescência, essa produção não começou a aparecer em periódicos ou livros, mas sim na forma de letras de canções quando poemas seus foram musicados por sua irmã, Marina Lima, que, ao fazê-lo, dava início à sua própria carreira de compositora e cantora. A partir desse momento, sem abdicar de escrever poemas destinados a serem lidos - muitos dos quais acabaram sendo publicados em periódicos - ele passou também a escrever poemas feitos para constituírem as letras das melodias que logo passou a receber, inicialmente de Marina mas logo também de novos parceiros (entre os quais figuram Lulu Santos, Adriana Calcanhoto, Orlando Moraes e João Bosco, por exemplo).


Em 1996, Antonio Cicero reuniu seus próprios poemas prediletos no livro Guardar (ed. Record, Rio de Janeiro), que foi vencedor do Prêmio Nestlé de Literatura, na categoria Estreante. Em 1997, publicou o disco Antonio Cicero por Antonio Cicero (ed. Luz da Cidade, Rio de Janeiro), em que recita poemas de sua autoria. Poemas seus constam da antologia bilíngüe Outras praias / Other Shores (ed. Iluminuras, São Paulo, 1998, organizada por Ricardo Corona), da antologia Esses poetas (ed. Aeroplano, Rio de Janeiro, 1999, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda), da antologia 41 poetas do Rio (ed. Funarte, Rio de Janeiro, 1999, organizada por Moacyr Félix), e da coletânea de textos Mais poesia hoje (ed. Universidade Federal Fluminense, Niterói, 1999, organizada por Célia Pedrosa, Cláudia Matos e Evando Nascimento).


De 1991 a 1992, Antonio Cicero foi, junto com o professor Alex Varella, Coordenador de Estética e Teoria das Artes no Galpão das Artes do MAM, onde ministrou diversos cursos e pronunciou inúmeras palestras. Em 1993, concebeu a organização de uma série de ciclos de conferências que reunissem grandes pensadores e artistas em torno de alguns dos temas decisivos deste final de século. Sob a orientação dele e de Waly Salomão, três desses ciclos foram realizados, parte no Rio de Janeiro, parte em São Paulo, reunindo poetas do calibre de João Cabral de Mello Neto, John Ashbery, Haroldo de Campos, Derek Walcott e Joan Brossa, artistas como os diretores Peter Sellars, José Celso Martines Correa e Arnaldo Jabor, e pensadores como Richard Rorty, José Arthur Giannotti, Ernest Gellner, Darcy Ribeiro, Peter Sloterdijk, Hans-Magnus Enzensberger e Tzvetan Todorov, entre outros.


Em 1994, junto com Waly Salomão, organizou o livro O relativismo enquanto visão do mundo (ed. Francisco Alves, Rio de Janeiro), que reuniu as contribuições referentes a um desses ciclos. No mesmo ano, participou da Bienal Internacional do Livro, de Frankfurt, a convite do Ministério da Cultura, tendo pronunciado na Literaturhaus uma conferência sobre a cultura brasileira. Em 1995, publicou o ensaio filosófico de sua autoria O mundo desde o fim (ed. Francisco Alves, Rio de Janeiro), que discute o conceito de modernidade. Em 1998, publicou, na coletânea organizada por Alberto Pucheu intitulada Poesia (e) filosofia (ed. Sete Letras, Rio de Janeiro), o ensaio "Epos e muthos em Homero", parte de uma obra mais extensa, ainda inédita, consagrada à poesia grega arcaica.


Em 1999 foi publicado o seu ensaio "A época da crítica: Kant, Greenberg e o modernismo", na coletânea organizada por Ileana Pradilla Cerón e Paulo Reis intitulada Kant: Crítica e estética na modernidade (ed. Senac, São Paulo). No ano de 2000 foi publicado o seu ensaio "Poesia e paisagens urbanas", na coletânea Mais poesia hoje, organizada por Celia Pedrosa (ed. 7 Letras, Rio de Janeiro). Atualmente, Antonio Cicero se dedica a escrever poemas e ensaios, além de ocasionalmente fazer leituras e palestras em instituições tais como o MAM do Rio de Janeiro, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói e o Centro Cultural Banco do Brasil, bem como noutros estados do Brasil.


OBRAS


Ensaios:

– O mundo desde o fim. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995.

– Finalidades sem fim. Ensaios sobre poesia e arte. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.


Poesia:

– Guardar. Rio de Janeiro: Record, 1996.

– A cidade e os livros. Rio de Janeiro, Record, 2002.


Fonte: Site do Poeta.




Imagens de Jevan Siqueira

Cidade de Luiz Gonzaga

Imagem cedida por uma amiga do ORKUT

22 de mai de 2009

Camaleão

Foto: Daniel Bezerra

Aqui tem muitas árvores e lagoas, por isso o nome do bairro: Lagoa Redonda. Convivemos com todo tipo de animais, desde cobras e morcegos a esses maravilhosos lagartos. Esse estava em cima do nosso muro, mas já tivemos dentro de casa. Breve postarei o vídeo.

O periquito que pensa que é morcego

Foto: Jevan Siqueira

Brincadeira, mas é muito interessante um periquito australiano dormir como um morcego. E não adianta acordá-lo, ele continua na mesma posição. rsrsrsrs

O gato que pensa que é mãe

O faisca ganhou esse nome porque é deficiênte físicoe Jevan colocou porque achava que ele ainda bem lento. Tem as pernas trazeiras atrofiadas e anda arrastando. Quando era menorzinho caminhava com as duas normais. Muito engraçadinho, o faisca.

Olha o jeito que o folgado dorme! De barriga pra o ar!


Sentinda a solidão dele, sem poder deixar brincar no quintal sozinho, resolvemos dar uma irmazinha pra ele. Da cria nova da mãe.


Se fosse só isso, tudo bem, mas agora ela está querendo achar peito nele. Passa um tempão mamando na barriga dele. E feriu. Ainda assim, ele deixa! Vá entender esses lindinhos!