6 de nov de 2009

Definição de Poesia



Um risco maduro de assobio.
O trincar do gelo comprimido.
A noite, a folha sob o granizo.
Rouxinóis num dueto desafio.

Um doce ervilhal abandonado
A dor do universo numa fava.
Fígaro: das estantes e flautas -
Geada no canteiro, tombado.

Tudo o que para a noite releva
Nas funduras da casa de banho,
Trazer para o jardim uma estrela
Nas palmas úmidas, tiritando.

Mormaço: como pranchas na água,
Mais raso. C´]eu de bétulas, turvo.
Se dirá que as estrelas gargalham,
E no entanto o universo está surdo.

Boris Pasternak




BORIS PASTERNAK

Romancista e poeta russo, Boris Pasternak nasceu em 10/2/1890 e morreu em 30/5/1960). Mundialmente famoso pelo romance Doutor Jivago, em 1958, é agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, mas as autoridades de seu país o impedem de recebê-lo.
Boris Leonidovitch Pasternak nasce em Moscou, numa família judia. Frequenta cursos de filosofia na Universidade de Moscou e na Universidade de Marburg, na Alemanha. Em 1913 lança o primeiro livro de poesia. Com Sestra Moya Zhizn (Minha Irmã, a Vida, de 1922), alcança o reconhecimento. Impedido de publicar durante o governo de Josef Stálin, traduz textos de Shakespeare e Goethe.
Em 1956 tem o romance Doutor Jivago, que conta a desilusão de um homem com o regime soviético, recusado pelos editores de Moscou. Uma editora italiana compra os direitos autorais, recusa-se a devolver os manuscritos e publica a obra em 1957.

No ano seguinte, está traduzida para 18 línguas. Banido da União dos Escritores Soviéticos, Pasternak é obrigado a recusar o Prêmio Nobel de Literatura em 1958. O cineasta David Lean leva Doutor Jivago à tela (1965). É reintegrado postumamente à União dos Escritores Soviéticos em 1987, o que possibilita o lançamento de Doutor Jivago no país.

Dr. Jevago

Como muitos intelectuais russos do seu tempo, Boris Pasternak viveu uma vida de medo e insegurança. Como um poeta na pós-revolucionário soviético da Rússia, ele tinha de caminhar prudentemente entre obedecer os ditames do Estado e os da sua própria consciência artística.
Pasternak, e os outros artistas da época, fizeram o que puderam para tornar a vida possível num país onde a arte só deveria existir para servir à Revolução.Havia o temor de que suas publicações fossem interpretadas como atentado ao regime os que levaria ao risco de serem acordados no meio da noite para responder por crime contra o estado, ou até pior. Viviam então aterrorizados com a figura de Joser Stalin.
Pasternak era uma pessoa que não via o mundo em termos políticos ou sociais. Sempre a retratou em termos de amor, fé, destino. Sua escrita erudita e complexa, enfocava o significado da vida e o mistério da morte. As questões sociais eram por ele tratadas apenas na medida em que influenciavam o destino humana, contrariando o credo Lenin e os bolcheviques, para quem a vida humana só valia em termos de servir à revolução.

Leon Trostky comandante do Exército Vermelho dizia: "Você pode não estar interessado na guerra, mas guerra está interessado em você.” Pasternak e muitos outros jovens não puderam se dar ao luxo de permanecer neutro numa guerra que não lhes dizia respeito. Ele não era um homem do seu tempo e sofreu por isso. As autoridades proibiram a publicação da sua obra por causa de sua falha em "aceitar plenamente" as questões sociais.
No entanto ele conseguiu ganhar a vida traduzindo em russo o trabalho de Goethe, Shakespeare, e os soviéticos georgiano poetas. Após o final da Segunda Guerra Mundial, ele finalmente começou a escrever sua obra Doutor Jivago que foi concluída em 1956, e foi publicado no Ocidente depois de ser contrabandeado para fora da União Soviética.

Doutor Jivago é a história de um homem e sua amante, que juntos tentam isolar suas vidas privadas a partir do caos e da violência da Revolução Russa de 1917 e à guerra civil que se seguiu. O livro é triste e cheio de metáforas poderosas. Exalta a deslumbrante beleza da vida, mesmo em meio a mais amarga tragédia. É fascinante romance, que tece filosofia e arte em conjunto.
Doutor Jivago foi um estrondoso sucesso e como consequência Pasternak viveu o resto de seus dias na Rússia em uma posição precária, especialmente depois que ele foi premiado com Nobel de literatura em 1958.
Por falta de espaço democrático os escritores ocupavam um espaço especial na Rússia. Ele não era apenas um artista, mas o porta voz da verdade e da consciência pública, sendo certamente por isso que o regime procurava exercer severa vigilância sobre todas as expressões culturais.
Doutor Jivago não foi publicado na Rússia até 1988.


Temos de descobrir segurança dentro de nós próprios. Durante o curto espaço de tempo da nossa vida precisamos encontrar o nosso próprio critério de relações com a existência em que participamos tão transitoriamente.

Boris Pasternak

Nenhum comentário:

Postar um comentário