31 de out de 2009




De pronto a névoa apaga o sol, e morre o dia,
sombras tristonhas roubam cor ao entardecer...
Quando partiste... (foste o bem que eu mais queria...)
Anoiteceu, por sempre, a vida em meu viver.

Restaram dor, que o peito em fúria, cilicia,
Conceitos vagos - mal os pude compreender...
Adormeceu o Tempo, envolto em agonia,
tanta saudade... Tanta dor varou-me o ser.

E muito embora já distante no passado,
sou ré cativa ao jugo desse cruel fado,
luto plangente, dor sem trégua, dor sem dó.

Não há quem dome o Mal que, agudo, me espezinha,
pois ao perder teu doce amor, minha Mãezinha,
eu fiquei só, tão miseravelmente... Só!

- Patrícia Neme -
In 'Sonetos em Dor Maior' (2009)

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