29 de out de 2009

São duas flores...



São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas

Talvez no mesmo arrebol,

Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol
Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu

Unidas, bem como os prantos
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar

Unidas... Ai quem pudera

Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,

Na verde rama do amor!


Castro Alves

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