26 de dez de 2009

AMOR




Nos nossos sorrisos uma flor
Uma lua linda a encantar

Nos nossos sonhos e desejos
Uma estação inteira
Quiçá a eternidade

Nos nossos olhos namorados
Uma rosa em estrada construída
de vidas compartilhadas...



Douglas Fagundes Murta



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IRMÃ POESIA



Lembro do seu primeiro sorriso
e também do aniversário.

Lembro das complicadas letras
e também dos namorados.

Lembro do seu casamento
e também do nascimento de poema.

Linda irmã Poesia
doce de sonhos e aventuras azuis.




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VIVER A VIDA



A vida pequenina flor
parece esquecida
levando as poucas partes
na ponta de cada estação

Mas decidida vida
recolhe após chuva
o coração das luas
e manhãs tristes de cada estação

Viver a vida
sem o medo sentido
caprichando nas lindas paisagens
resgatadas na memória
dos que sabem amar e por isso
perdoar.


Douglas Fagundes Murta




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21 de dez de 2009

A vida não perdoa...




A vida não perdoa os nossos descuidos...
Dizer que está tudo certo,
quando está tudo errado é render-se à desventura...
Arrisquei a mudar a direção!
Revesti minha alma de audácia.
Destruí a sombra da covardia...
Que me escoltava enquanto caminhava.
Vigiei minha sombra, equilibrei os meus passos.
Simplesmente valorizo cada instante da minha vida...

Glória Dantas



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7 de dez de 2009

TUDO FICA SEM EIRA NEM BEIRA





A coragem se desvanece.
O arco-íris não mais existe!
Os dias se tornaram cinza.
O medo cresce,
Enquanto o amor,
Que era belo na primavera,
Recolheu-se ao frio do inverno.

A tristeza tolda a vidraça,
E tudo fica sem eira nem beira.
O coração se estilhaça,
Feito fogo que crepita na lareira.

Entre o céu e o inferno,
Digladiam-se demônios,
Invólucros da dor que espezinha,
Fazendo-me pequena,
Indefesa e tão sozinha.

(Genaura Tormin)


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"IBA TOCANDO MI FLAUTA"





Iba tocando mi flauta
a lo largo de la orilla;
y la orilla era un reguero
de amarillas margaritas.

El campo cristaleaba
tras el temblor de la brisa;
para escucharme mejor
el agua se detenía.

Notas van y notas vienen,
la tarde fragante y lírica
iba, a compás de mi música,
dorando sus fantasías,

y a mi alrededor volaba,
en el agua y en la brisa,
un enjambre doble de
mariposas amarillas.

La ladera era de miel,
de oro encendido la viña,
de oro vago el raso leve
del jaral de flores níveas;

allá donde el claro arroyo
da en el río, se entreabría
un ocaso de esplendores
sobre el agua vespertina...

Mi flauta con sol lloraba
a lo largo de la orilla;
atrás quedaba un reguero
de amarillas margaritas...


Juan Ramón Jiménez



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"SONHO"





Da tua branca e solitária ermida
Por caminhos de céu que a lua esmalta-
Desces –banhada dessa luz cobalta-
O linho d’asa abrindo sobre a vida.

Nada,teu passo calmo,sobre-salta
E quando a mágoa as almas intimida
Das ilusões,a turba renascida,
Em rondas espalha pela noite alta.

E a claridade que se faz é tanta
Que logo a terra fica cheia dessa
Sonora e estranha luz que alegra e canta.

E iluminada de um luar de outono
A alma feliz e impávida,atravessa
A vasta e longa escuridão do sono.


Mário Pederneiras
Rondas Noturnas-1.906



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Acalentar





Se não fosse a poesia - amiga e confidente a me escutar,
como agora, quando a noite cai,
e eu, aqui ,sozinha,
lembrando de ti,
me lamentando demais...

Se não fosse a poesia - fiel companheira a me escutar,
com certeza chegariam aos teus ouvidos,
os meus gritos de tristeza,
que me arremessam ao cais...

Um cais, sem navios, sem velas, sem ventos...
um cais só de murmúrios, das águas que vem e que vão,
num in incessar constante
molhando a areia,
me atirando ao chão...

Regina Azenha




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INFINITO PRESENTE


No movimento veloz
de nossa viagem,
embala-nos a ilusão
da fuga do tempo.

Poeira esparsa no vento,
apenas passamos nós.
O tempo é mar que se alarga
num infinito presente.


Helena Kolody
in Viagem no Espelho




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"Quem Pode Impedir a Primavera"




Quem pode impedir a Primavera
Se as árvores se vão cobrir de flores
E o homem se sentiu sorrir à Vida?
Quem pode impedir a surda guerra
Que vai nos campos deslocando as pedras
- Mudas comparsas no ritmo das estações -
E da terra inerte ergueu milhares de lanças
Que a tremer avançam, cintilantes, para o limite
Em que a luz aquosa se derrama
Como um mar infinito onde o arado
Abre caminho misterioso à seiva inquieta!
Quem pode impedir a Primavera
Se estamos em Maio e uma ternura
Nos faz abrir a porta aos viandantes
E o amor se abriga em cada um dos nossos gestos.

Quem?...
Se os sonhos maus do Inverno dão lugar à Primavera!



Rui Cinatti
de Nós não somos deste mundo, 1941




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Canção da falsa adormecida




Se te pareço ausente, não creias:
Hora a hora o meu amor agarra-se aos teus braços,
Hora a hora o meu desejo revolve estes escombros
E escorrem dos meus olhos mais promessas.

Não acredites neste breve sono;
Não dês valor maior ao meu silêncio;
E se leres recados numa folha branca,
Não creias também: é preciso encostar
Teus lábios em meus lábios para ouvir.

Nem acredites se pensas que te falo:
Palavras
São o meu jeito mais secreto de calar.

(Lya Luft)



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The Snow Man





One must have a mind of winter
To regard the frost and the boughs
Of the pine-trees crusted with snow;

And have been cold a long time
To behold the junipers shagged with ice,
The spruces rough in the distant glitter

Of the January sun; and not to think
Of any misery in the sound of the wind,
In the sound of a few leaves,

Which is the sound of the land
Full of the same wind
That is blowing in the same bare place

For the listener, who listens in the snow,
And, nothing himself, beholds
Nothing that is not there and the nothing that is.


Wallace Stevens
(1879-1955- Estados Unidos)



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30 de nov de 2009

AUSÊNCIA DEFENSIVA



AUSÊNCIA DEFENSIVA

Estou sempre em qualquer lugar
onde eu penso sem pensamento
porque o tempo passa no tempo
sem que o sonho possa esperar.

Estou sempre em qualquer lugar
onde o pranto chora sem mágoa
murmuram os riachos sem água
navegam meus barcos sem mar.

Estou sempre em qualquer lugar
onde os jardins crescem abertos
sem sucumbir como os desertos
onde ninguém vai me encontrar.

Estou sempre em qualquer lugar
despertando as minhas ternuras
dentre as pedras das amarguras
que me lançam querendo amar.

Afonso Estebanez



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'TRANSBORDAMENTO'




A tarde diluída dentro de mim. O mundo tão vasto!
As antenas da imaginação nas ondas de todo o mundo.
Milhares de vidas (paisagens: milhares!)
dão à alma o sentido diluído do maravilhoso fragmentado.

O desconhecido é a única base do espírito que viaja.
Vontade de dominar todos os vislumbres da consciência em naufrágio.
Oh! mas é inútil pensar na libertação de ser um dentro de si mesmo.
O que vale é o que transborda, o que nos transcende a cada instante
e adere às formas do que não vemos e cria as realidades que serão eternas
e faz o mundo tão vasto.


Emílio Moura
Itinerário Poético



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'PRESENÇA'




"O que me dói não é
o que há no coração
mas essas coisas lindas
que nunca existirão."
Fernando Pessoa


Sempre te busco,
nunca te encontro.
Que nuvem densa,
múltipla e vária,
te oculta aos olhos
que te sonharam?

E vão te chamo.
Eco perdido,
a voz retorna.
Frágil e tímida,
deu volta ao mundo.
Não te encontrou.

Meu pensamento
sobe bem alto,
sobe mais alto.
Espelho mágico,
mostra-te aos astros.
Nenhum te viu.

Ninguém te viu,
nem te verá.
Morres comigo.


Emílio Moura






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'INQUIETUDE'



As horas passam, lentas como beijos,
ou rápidas, como setas.

Nem desejo de continuar, nem vontade de parar.
Eu só queria que a minha vida fosse uma página em branco,
sem dizeres que não dizem nada,
porque é sempre a mesma inutilidade,
sempre o mesmo espetáculo.

Mas, o tempo não pára:
As horas passam lentas como beijos,
ou rápidas, como setas.


Emílio Moura
Itinerário Poético



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Reflexões



Um barco passa ao longe
Na linha do horizonte.

Passa o tempo,
uma alegria, alguns sorrisos
Muitos sonhos, algumas dores
Muitos amores, poucas verdades

Um adeus,
algumas lagrimas, recordações
como no horizonte ao pôr-do-sol
Vão se esfumando as lembranças

Que importa se desce a sombra
Se tudo já é passado.
Navega comigo,
Até que a noite desapareça.

Ana Carlini
(Porto-PT-1949)



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Solitude




Atravessando o deserto da dor,
Percebi que não me encontrava só

O eventual não floresceu
muitas outras flores, floriram

De desertos e de medos
A vida agora sem degredos

Ana Carlini



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27 de nov de 2009

Obrigada, pai


Obrigada, pai

Obrigada, pai Pela vida!
Pela coberta que me aquece
Pelo teto que me abriga
Por tua presença amiga

Obrigada, pai
pelos doces
Pelos presentes,
Pelos passeios na praça

Obrigada, pai
pelo suor na fronte
E pelos braços cansados
No final da jornada
Para que nada me faltasse

Obrigada, pai
Pelas noites em claro
Quando o dinheiro não deu
E mesmo assim,
Nunca nos abandonaste

Porque me castigaste
Quando eu estava errada
E por tentar me mostrar
O caminho da verdade

Obrigada, pai
Por tantas vezes que abdicaste
Teus sonhos para realizar os meus
E abriste mão das tuas vontades
Para realizar meus caprichos.

Obrigada, pai
Porque tu existes!
Porque és meu pai,
E porque toda tarde,
voltas pra casa.

Ariadne Sampson

Ariadne é filha de Tarciso Coelho.


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26 de nov de 2009

Auto hemoterapia, eu faço


AUTO HEMOTERAPIA

Prefácio de um testemunho de Vida ou de Morte. O tempo vai definir.

Comecei a fazer a auto hemoterapia ao ler sobre ela no blog da minha amiga Genaura Tormin. Deus colocou essa leitura diante de mim, tenho certeza. Nada acontece por acaso e acredito que Ele tem um propósito ao permitir que eu tenha desenvolvido um câncer. Talvez para servir de alerta para minhas irmãs. Porque ai, sim! Eu não suportaria!

Não temos um caso sequer na família e eu fazia todo ano a mamografia. Agora, na época que eu mais precisava, a partir dos 55 anos, parei. Está com 4 anos que fiz a última. Estou pagando um preço muito alto pelo descuido.

No ano passado fui a uma ginecologista e ela cumprido a rotina solicitou uma. E só um ano depois eu fiz. Nada justifica tamanha irresponsabilidade comigo mesma, mas a verdade é que tudo se torna difícil para uma pessoa com histórico de depressão e pânico. Quase não saio de casa e ir a médico ou dentista são coisas que me custam um esforço enorme. Foi por conta disso que não fiz. Agora, com ou sem ânimo, vou correr atrás do prejuizo.



Sobre a auto hemoterapia, um mês antes de descobrir o câncer eu li o artigo da Genaura e fiquei impressionada com a simplicidade do tratamento. Alem disso, para mim ele tem toda a lógica do mundo. Faz sentido total.

Comecei a fazer pensando só numa alergia a sol que tenho nos braços e, que por sinal, está totalmente controlada. Procurei quem fizesse e comecei com uma disposição e perseverança como nunca tinha tido com coisa alguma.

Além da alergia, meu spray de soro, que durante toda minha vida ficou ao meu lado, está aposentado. Eu usava para o nariz, para uma Rinite, que sempre tive e que também sumiu nesse espaço de 40 dias. Estou bem melhor da colite, que é causada pela depressão e que não para com nenhum medicamento. Sinto, ou sentia tantas dores que evitava sair de casa. Não senti mais. Também não tive mais crises de enxaqueca, que eu tinha no mínimo 3 vezez por mês.

Não sei se aconteceram outras mudanças, não notei ainda, mesmo porque não paro meus remédios para depressão.

Só tinha ouvido os prós e hoje resolvi vasculhar a net à procura dos contras. Assisti um vídeo do Fantástico, onde parei pra rir de uma doutora que, perguntada sobre riscos, afirmou categoricamente que EXISTEM. O repórter pediu pra ela citar.

- A aplicação pode causar um abscesso, que por sua vez pode contaminar todo o organismo!

AH! FALA SÉRIO!!!

Toda aplicação pode causar um!!!


Alem do mais, gostaria de deixar minha opinião em forma de pergunta:

VOCÊ LÊ COMPLETAMENTE A BULA DOS REMÉDIOS QUE TOMA?

Se alguém lê a bula de um remédio, pode até tomar, mas é morrendo de medo. E alguém vem me dizer que existe o risco de um abscesso pela aplicação da auto hemoterapia?


Vi coisas muito interessantes, como um secretário de saúde de um estado, que ele mesmo faz as aplicações numa pesquisa e diz que todos os pacientes estão respondendo positivamente e alguns estão curados!

O que será que tem por trás de tanta má vontade em legalizar o tratamento? Eu toparia ser cobaia de uma pesquisa. Muita gente toparia!

NÃO SEI.

E vou fazer sempre. Vou atualizar esse depoimento sempre que tiver uma novidade e com certeza sei que vai me ajudar na defesa do meu organismo contra os efeitos maléficos da quimioterapia. Espero ajudar também a outras pessoas.

ATUALIZANDO

Hoje é dia 13 de janeiro de 2012. Continuo fazendo a AH. E chamo a atenção para um detalhe. Não tive uma única afta, um resfriado sequer e permaneci corada durante toda a quimioterapia. Ainda hoje os médicos se admiram. E eu nunca falei pra eles, pois eu sei que são proibidos de aceitar, mas devo dizer que o enfermeiro que me aplica, começou porque um médico pediu ao dono da farmácia pra abrir, sigilosamente, esse ambulatório para esse fim. As pessoas indicam a quem confiam e ele já tem vários clientes, fora os do médico.

A cada 3 meses vou ao ICC fazer controle e sofro muito ao ver as pessoas com câncer. Umas ficam tão pálidas que parecem mais esverdeadas. Outras, inchadas ou magras demais;

Observo tbm que a maioria dos que morrem são por doenças oportunistas, tipo pneumonia, etc.

Gostaria muito que o mundo inteiro lesse meu testemunho pra ter essa ajuda tão maravilhosa.


O blog da genaura. Vale a pena ler.

http://genaura.blogspot.com/search/label/Auto-hemoterapia

Todos os outros vídeos citados estão no Youtube. É só pesquisar.




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AMO VOCÊ!



Amo a sua vontade louca
de rasgar futuro e me fazer delirar

Amo a calada penumbra
dos travesseiros trocados

Amo a sua incapacidade generosa
que no corpo esquece a demora

Amo o silêncio das estrelas
quando derradeiro grito o início.

Douglas Fagundes Murta
(Recanto das Letras)


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18 de nov de 2009

O Amor Antigo


O amor antigo vive de si mesmo,
Não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
Mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
Feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
E por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
Aquilo que foi grande e deslumbrante,
O antigo amor, porém, nunca fenece
E a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
E resplandece no seu canto obscuro,
Tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond de Andrade



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Alma de Borboleta


Há certas almas
como as borboletas,
cuja fragilidade de asas
não resiste ao mais leve contato,
que deixam ficar pedaços
pelos dedos que as tocam.
Em seu vôo de ideal,
deslumbram olhos,
atraem as vistas:
perseguem-nas,
alcançam-nas,
detem-nas,
mas, quase sempre,
por saciedade
ou piedade,
libertam-nas outra vez.
Elas, porém, não voam como dantes,
ficam vazias de si mesmas,
cheias de desalento...
Almas e borboletas,
não fosse a tentação das cousas rasas;
- o amor de néctar,
- o néctar do amor,
e pairaríamos nos cimos
seduzindo do alto,
admirando de longe!...

Gilka Machado



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arte de mim...

Tela de John Atkinson

Eu queria tocar aquele
crepúsculo…
Eu pensava ser
alguma parte da
minha solidão perdida
em algum recanto triste...
Eu só queria trazê-lo
de volta ao meu peito,
enquanto o admirava entremeio
lágrimas de uma saudade
infinda...

(Cida Luz)



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O ENGANO


Sou tua, Deus sabe porque, já que compreendo
Que haverás de abandonar-me, friamente, amanhã,
E que embaixo dos meus olhos, te encanto
Outro encanto o desejo, porém não me defendo.

Espero que isto um dia qualquer se conclua,
Pois intuo, ao instante, o que pensas ou queiras
Com voz indiferente te falo de outras mulheres
E até ensaio o elogio de alguma que foi tua.

Porém tu sabes menos do que eu, e algo orgulhoso
De que te pertence, em teu jogo enganoso
Persistes, com ar de ator dono do papel.

Eu te olho calada com meu doce sorriso,
E quando te entusiasmas, penso: não tenhas pressa
Não és tu o que me engana, quem me engana é meu sonho.

(Alfonsina Storni)



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Juramento



Eu juro pelo mal que me fizeram
pela revolta que me açula o brio;
pelas angústias que em meu peito geram
cataclismas fatais de mar bravio...

Eu juro pela paz que me negaram,
pelos desejos bons que sempre tive,
pelos espinhos que me acompanharam,
pela tristeza que comigo vive;

Eu juro pelo amor - jamais avaro,
que semeando eu andei pelo caminho;
pela glória que me custou tão caro,
e pelo meu excesso de carinho...

Por esse céu de inverno triste e escuro
e essas folhas rolando pelas ruas,
por tudo o que me faz sofrer, eu juro
que estou morrendo de saudades tuas.

Yde Schloenbach Blumenschein

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'SEGUNDA ROSA DO ORIENTE'



Não vejo o dia de chegar o tempo
em que de rosas seja toda espera
como nos dias em que fico atento
e invento rosas para a primavera.

Não há deleites a não ser o alento
de ver o tempo regressar com ela
da doce esfera do contentamento
ao venturoso amor que regenera.

O amor da rosa que virá semente
do meu jardim secreto do oriente
para os canteiros rústicos do mar.

Talvez a vida seja o mar de rosas
que a despeito das vias arenosas
não se ferem nas pedras do luar.


Afonso Estebanez



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'A ROSA SE DESNUDA'



'A ROSA SE DESNUDA'

(uma resposta à Segunda Rosa do Oriente)

Não há no tempo a poção de magia,
que traga à rosa o seu primeiro encanto.
Foi-se-lhe a vida... Jaz em agonia,
por não mais ter a voz do próprio canto.

A primavera... Deus, que nostalgia...
Que padecer, que dor... É tanto o pranto...
Onde as sementes? Rosa tão vazia...
Rosa desnuda de cor e acalanto!

Misericórdia, céus, ouve-me a prece,
todo o esplendor da rosa, em mim, fenece...
E o desespero é qual o mar... Crescente.

É lua plena, de paixão e sangue...
É rosa morta, de tristeza, exangue...
Buscando as sendas do Grande Oriente.


- Sarai Jahwel -




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16 de nov de 2009

VEIO UM TORPOR E ME SELOU A MENTE



Veio um torpor e me selou a mente;
Sem temores humanos,
Pareceu-me que ela era indiferente
À passagem dos anos.

Agora não se move, a força é gasta;
Não houve, enxerga ou canta;
A rotação terrestre a rola e arrasta
Com rocha, e pedra, e planta.


William Wordsworth
in Poesia Selecionada



WILLIAM WORDSWORTH

Poeta britânico nascido em Cockermouth, Cumberland, norte da Inglaterra, em 7 de abril de 17 e falecido em 23 de abril de 18. Foi um dos primeiros românticos ingleses, ao lado de Samuel Taylor Coleridge (1772-1834) e Robert Southey (1774-1843).
O segundo dos cinco filhos de John Wordsworth, e irmão da também poeta Dorothy Wordsworth. Órfão de mãe (1778) foi internado pelo pai na Hawkshead Grammar School, onde formou sua educação básica e média.

Apoiado pelos parentes maternos, entrou no St John's College, em Cambridge (1787) e viajou pelo continente (17-1792), especialmente França, Suíça e Itália, e manteve estreitos contatos com os revolucionários franceses. Apaixonou-se (1791) pela francesa Annette Vallon, e (1792) e juntos tiveram Caroline.

Por causa das tensões políticas entre França e Inglaterra, o casamento não pode ser realizado e ele voltou sozinho ao seu país. Escreveu It is a beauteous evening, calm and free (1792) em homenagem as duas francesas de seu coração que o reino de terror republicano separou e, assim, ele não pode revê-las por vários anos. Graduou-se com distinção (1793) e fixou residência em sua terra natal, Lake District, no norte da Inglaterra, onde havia nascido, e passou a se dedicar à poesia.

Recebeu uma herança de Raisley Calvert (1795), o que lhe permitiu viver dedicando-se exclusivamente a produção literária. Conheceu o também poeta Samuel Taylor Coleridge, em Somerset, e logo desenvolveram uma sólida amizade.
Mudou-se com a irmã Dorothy (1797) para Alfoxton House, Somerset, onde ele, Dorothy e Coleridge, passaram a trabalhar juntos. Em seguida (1798) viajou com a irmã e Coleridge para a Alemanha, onde tomou contato com a incipiente poesia romântica.

O trio então publicou Lyrical Ballads (1798), um dos marcos iniciais do romantismo inglês. Voltou a morar em Lake District e, em seguida, escreveu The Prelude (1799-15), longo poema autobiográfico sobre sua infância, só publicado postumamente por sua viúva.

Depois do Peace of Amiens novamente pode viajar à França (12) e junto com sua agora inseparável irmã, Dorothy, visitaram Annette e Caroline, para as quais garantiu a assistência devida. Na volta casou-se (13) com uma amiga de infância, Mary Hutchinson, com quem teria cinco filhos, e Dorothy continuou a morar com o casal.

Apegado à natureza, conservador e anglicano, à linguagem coloquial e aos temas simples, entre seus livros destacara-se Poems, 2 vol. (17), The Excursion (1814),
The River Duddon (18), Ecclesiastical Sonnets (1822), uma coleção de 2 sonetos em homenagem à Igreja Anglicana.

Recebeu muitas homenagens acadêmicas e oficiais e morreu em Grasmere, Westmorland, aos anos, e foi enterrado na igreja de St. Oswald's, em Grasmere.

Sua importante geração foi logo obscurecida pela brilhante geração de poetas românticos ingleses seguinte, entre eles Percy Bysshe Shelley (1792-1822) e John Keats (1795-1821).


Dados:Prf. Carlos Fernandes UFCG


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12 de nov de 2009

OS AMIGOS, AO ENTARDECER



O tempo é breve e as afeiçoes são poucas.
Os cabelos já tomam a cor das despedidas.
Tantas, as viagens! Quantas, as partidas
para as paixões, as festas e navegações?
Fraternas mãos vieram e me cobriram
com cálidos lençóis.
E preparei anzóis
para pescar os salmões do amanhecer.
Um dia, com os amigos, acendi fogueiras.
Deitamo-nos na relva, de alma ainda inteira.
Ou fomos olhar os trens
que vinham dos verões.
Vezes houve em que rimos, quase alucinados.
Nem vimos os exílios, demorados.
E estivemos unidos em nossos corações.


Artur Eduardo Benevides
In: Elegia Setenta e Outros Poemas






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Era já posto o sol.


SONETO

Era já posto o sol. A natureza
Em ondas de perfume se banhava;
Aqui, pendia a rosa, além brilhava
Alguma flor de virginal pureza.

Nuvem sutil, de pálida tristeza,
Pelo cândido rosto lhe vagava.
Nas negras tranças do cabelo estava
Murcha e mais triste uma saudade presa.

Oh! pintor que a pintaste! Era mais bela
Que a lua deslumbrante de fulgores,
Surgindo dentre as sombras da procela!

Ao vê-la, aos meus olhos matadores,
Voou meu coração aos lábios dela,
Minh´alma ardente se banhou de amores.


Maciel Monteiro








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Sou o mundo


Sou o mundo.
O possível é o horizonte...
Criaturas do mar dormem
balançando-se nas ondas.
Ressoam as vagas
na concha do tempo.
Vem.
A promessa pousa
suas asas entre nós.
Navega.
A certeza é o poente.

Lilia Silvestre Chaves
in: 'E todas as orquestras acenderam a lua.'





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Amar é esquecer-se para o outro



Amar
é esquecer-se para o outro.
É a procura da alma nos sentidos.
É sentir que a liberdade está perdida,
Nos longes de uma eterna despedida.

Amar
é esperar pelo passado
Que se perde no reverso das estrelas.
E, se a memória do tempo é desventura,
A vida é traço de palavra impura.

Lilia Silvestre Chaves
in:'E todas as orquestras acenderam a lua.'








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Saudade


Saudade – coisa que a gente
não explica nem traduz;
faz do passado, presente,
e traz sombras, sendo luz…

Yde Schloenbach Blumenschein







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Nunca houve palavras para gritar a tua ausência


Nunca houve palavras para gritar a tua ausência

Apenas o coração
Pulsando a solidão antes de ti
Quando o teu rosto dóia no meu rosto
E eu descobri as minhas mãos sem as tuas
E os teus olhos não eram mais
que um lugar escondido onde a primavera
refaz o seu vestido de corolas.

E não havia um nome para a tua ausência.

Mas tu vieste.

Do coração da noite?
Dos braços da manhã?
Dos bosques do Outono?

Tu vieste.
E acordas todas as horas.
Preenches todos os minutos.
acendes todas as fogueiras
escreves todas as palavras.

Um canto de alegria desprende-se dos meus dedos
quando toco o teu corpo e habito em ti
e a noite não existe
porque as nossas bocas acendem na madrugada
uma aurora de beijos.

Oh, meu amor,
doem-me os braços de te abraçar,
trago as mãos acesas,
a boca desfeita
e a solidão acorda em mim um grito de silêncio quando
o medo de perder-te é um corcel que pisa os meus cabelos
e se perde depois numa estrada deserta
por onde caminhas nua.
Como se estivesses triste

Joaquim Pessoa





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PEREGRINAÇÃO



Ai de mim
entre esses peregrinos mortos,
os que olharemos para o passado
com melancólico remorso.

Tentaremos dizer alguma coisa,
mas já não saberemos dizer nada...
Até que, então, tenhamos aprendido
a fazer tudo o que não dá mais
para fazer nesta jornada.

E nos arrependeremos
de não ter suportado as feridas
que os espinhos da vida causam
como justo preço cobrado de quem
colhe uma rosa.

Ai de mim
entre esses tristes cavaleiros
que temos feito do sonho alheio
um campo santo para guerrear.

Ai de mim, ai de nós
que não poderemos mais
voltar...

Julis Calderón





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11 de nov de 2009

FANTASIA



FANTASIA

Fantasia é alguma coisa fascinante.
Ela está na sua cabeça, sob seu comando.
Você pode acabar com ela,
pausar, adiar, anteceder. Você pode tudo:
- decide, intensifica, esfria, esquenta e,
todas as decisões são suas.
Tudo tão confortável...
até o dia que se torna realidade.

Mas, uma fantasia pode se tornar realidade?
Poderia um círculo se transformar num quadrado?

Assim é uma fantasia que se torna realidade:
- Deixou de existir. Virou vida real.

Já não é decisão só sua,
não será a sua vontade que estará no comando,
e você não decide quando ou como acabar!

Então, é melhor deixá-la no seu devido lugar!

Regina Helena





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O mar e a rocha


O mar e a rocha


O mar se entrega à rocha, sem receios,
e a cobre com espuma virginal.
E lhe acarinha todos os permeios,
e ama, como nunca amou igual.

Lhe conta dos seus mais sutis anseios,
lhe fala desse amor, já outonal...
E a cerca com seus mil e um meneios...
E lhe oferece todo o seu caudal.

Porém, sempre centrada em sua essência,
ela não se permite a experiência
de se entregar aos braços desse amor.

E perde um oceano de venturas,
e mais e mais conhece as amarguras,
de quem jamais ousou su'alma expor!

Patricia Neme
in Sonetos em Dor Maior





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FOLHAS DE ROSA


FOLHAS DE ROSA

Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo …

E falo-lhes d’amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente…
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente …

Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m’embriaga

O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que reflectia outrora tantos risos,
E agora reflecte apenas pranto,

E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado…

Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mais fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia…

Florbela Espanca







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